O filme ‘Um Broto Legal’ passa pela trajetória da cantora Celly Campello, primeira popstar do rock nacional

Postado em: 17-06-2022 às 09h29
Por: Lanna Oliveira
Segundo o diretor, o grande desafio no longa foi conseguir criar o clima de época | Foto: Reprodução

Primeira popstar do rock nacional, a cantora Celly Campello é o centro do filme ‘Um Broto Legal’. Famosa com músicas como ‘Banho de Lua’ e ‘Túnel do Amor’, entre outras, Celly é interpretada por Marianna Alexandre, que faz sua estreia no cinema em grande estilo, como a jovem aspirante a cantora, no interior de São Paulo. O enredo passa por sua trajetória e narra como ela conquistou o País com sua bela voz e jeito moderno. O longa já está disponível nos cinemas de Brasília e mais 15 cidades.

Precoce, Celly começou sua carreira aos 12 anos, com seu próprio programa de rádio em Taubaté. Batizada originalmente como Célia, o nome americanizado veio do costume da época, quando o rock começava a penetrar no imaginário popular brasileiro. Seu primeiro compacto foi lançado em 1958, onde ela cantava ‘Handsome boy’, tendo seu irmão Tony Campello no lado B. Ambos eram grandes apostas da Odeon, para conquistar a juventude da época. Ela rapidamente virou musa do rock and roll, estourando no ano seguinte com ‘Estúpido cupido’.

Com direção de Luiz Alberto Pereira o longa-metragem resgata a história da artista. Pereira conta que acompanhou a trajetória de Celly, pois moravam na mesma cidade, em Taubaté, embora nunca tivessem se encontrado pessoalmente, por que ele era muito criança. Mas sua irmã mais velha e as amigas eram fãs entusiasmadas da cantora, e ele aponta a importância de Celly para “o nascimento do que poderíamos chamar de ‘música jovem’”. Era a chegada do rock’n’roll ao Brasil e Pereira ficava admirado com toda aquela agitação em torno da Celly.

Essa loucura foi uma das motivações que o levou a realizar o filme, este que contou com uma consultoria muito especial: seu irmão mais velho Tony Campello, que, aos 85 anos, se envolveu com o projeto e partilhou várias histórias que serviram de base no roteiro, já que Celly morreu em 2003. “Além das informações, ele sempre gostou de guardar as recordações e me mostrou fotos, discos, prêmios da Celly e dele, que acabaram sendo alguns desses objetos utilizados no filme. Foi importantíssima sua participação”, revela o diretor.

Além das conversas com Tony, para criar o longa, o diretor e roteirista recorreu a várias fontes como jornais e revistas da época, além de depoimentos da própria Celly depositados no Museu da Imagem e do Som (SP). “E um fato interessante é que não existia ainda o vídeo tape e na pesquisa não consegui imagens em movimento da Celly quando cantava seus grandes sucessos. Só consegui visualizar através de fotos que serviram de referência para a construção dos cenários”, completa.

Em ‘Um Broto Legal’, o cantor é interpretado por Murilo Armacollo, definido, pelo diretor, como “outro achado maravilhoso”. Marianna Alexandre, que interpreta a cantora, é considerada por Pereira também um encontro que definiu o sucesso das gravações. “No momento em que a Marianna tocou ‘Estupido Cupido’ no piano cantando com sua voz afinada, ela ganhou o papel. E o principal no caso nem seria a voz mas o ouvido. Era importante que a personagem tivesse um dom musical e isso a Marianna tem de sobra”, conta o diretor.

O elenco ainda inclui: Danillo Franccesco, como Eduardo, namorado de Celly; Paulo Goulart Filho e Martha Meola, como os pais de Celly e Tony; Petrônio Gontijo, como o produtor que descobre os irmãos e os torna famosos; Felipe Folgosi, como o diretor da gravadora; Claudio Fontana, como o divulgador da gravadora e Carlos Meceni como o diretor artístico. O roteiro é assinado por Pereira e Dimas de Oliveira Jr, que chegou a conhecer Celly, inclusive pessoalmente e a assistir a shows dela.

Por se tratar de um Filme de época que se passa no final dos anos 50 e início dos 60, UM BROTO LEGAL tem muito a mostrar para a juventude atual sobre a música e os costumes no Brasil. “O filme mostra como uma figura meiga e sincera a partir dos seus 16 anos conquista o país e se torna a ‘namoradinha do Brasil’. Acho que o público jovem de hoje em dia tem muito a aprender com a Celly ao perceber suas atitudes frente às solicitações que naquela época marcaram sua vida, podendo comparar o passado e o presente e se preparar para sua vida no Brasil de hoje”.

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