Iyalorisá Mariléia de Òsùmàrè no ‘ Papo Xadrez’

“Religião certa é aquela que te dá equilíbrio, é aquela que faz você trabalhar para ser um ser humano melhor”, diz Mariléia Lasprilla

Postado em: 06-07-2022 às 08h40
Por: Redação
“Religião certa é aquela que te dá equilíbrio, é aquela que faz você trabalhar para ser um ser humano melhor”, diz Mariléia Lasprilla | Foto: Divulgação

Guilherme de Andrade

O ‘Papo Xadrez’ alcançou nessa semana a marca dos vinte episódios. A vigésima convidada do podcast foi Mariléia Lasprilla, a Iyalorisá Mariléia de Òsùmàrè, uma das responsáveis pelo terreiro Asé Dan Fé Èrò. Engajada na vida pública, Mariléia traz para o debate a importância das políticas estatais a fim de garantir a efetiva cidadania dessas comunidades. O papo sobre fé e religião segue disponível na íntegra pelo canal do YouTube ‘Papo Xadrez’. 

Durante a transmissão, Mariléia conta que se aproximou do candomblé ainda criança, por estímulo de parte da família. Ambas suas avós frequentavam terreiros e viram desde cedo uma espiritualidade mais desenvolvida na menina. Após sua iniciação, entretanto, Mariléia se afastou um pouco da religião. Ouvindo comentários maldosos sobre sua participação nos terreiros, e sendo sempre curiosa, a jovem se dedicou a conhecer outras religiões. Apesar de não negar nenhuma das fés que conheceu, hoje a Iyalorisá afirma que “foi o candomblé que me escolheu”.

Continua após a publicidade

Uma das maiores pautas defendidas por Mariléia é a de difusão das culturas de matriz africana como forma de combater a intolerância religiosa. O apresentador Felipe Cardoso chamou à mesa a filha de Mariléia, Gabriela Lasprilla, que estava junto da mãe nos estúdios. As duas compartilharam experiências de opressão e violência direcionadas à elas ao longo da vida devido à religião. “Mesmo falando que a gente tem essa liberdade da crença, que está assegurado na lei, na hora da aplicabilidade, isso é falho”, ressalta a Iyalorisá.

Mariléia associa, no início do encontro, a violência e intolerância que os terreiros vivem hoje com um processo contínuo de invisibilização dessa cultura.  “Nós não temos o reconhecimento da nossa cultura como realmente a base do povo brasileiro”, ela sintetiza. Exemplos não faltam: na comida, na música, na religião ou no vestuário, os traços africanos da nossa cultura são tidos apenas como ‘brasileiros’. Mariléia denuncia a invisibilização sistemática que a cultura africana vem sofrendo no Brasil desde a colonização até os dias atuais.

A sacerdotisa fala que existem variações dentro das nações que foram trazidas ao Brasil e por isso existem diferenças entre os terreiros. Primeiro veio o povo Jeje, depois o povo Nagô e então, os mais conhecidos, Iorubás, cada qual com suas especificidades. Destacando a riqueza dessas culturas para a construção do País, Mariléia reforça: “o próprio quilombo urbano são os terreiros! Porque ali a gente mantém a cultura, a tradição, a religião, a vestimenta, as músicas, os ritmos e as comidas por 400 anos”.

Na voz dos apresentadores

A nova apresentadora do ‘Papo’, Ananda Leonel, cumprimenta todos que acompanham o podcast e diz estar “muito feliz com essa nova caminhada que vamos trilhar juntos”. Ao fim do episódio, Ananda não poupou elogios a Mariléia: “Foi um prazer conhecer mais sobre a fé e a espiritualidade no candomblé, saber das opressões que esse grupo sofre no cotidiano e como as políticas públicas afetam essa comunidade”. Empolgada com a estreia, Ananda diz estar ansiosa para o episódio da semana seguinte. 

O apresentador Felipe Cardoso, ao comentar a transmissão desta semana, disse: “estou muito feliz, primeiramente em receber minha nova colega Ananda, mas também em finalmente poder falar sobre esse tema”. Felipe conta que já conhecia Mariléia por causa de suas palestras e que sua forma de explicar o candomblé é encantadora. “Refletir sobre o papel da espiritualidade em nossas vidas, independente de religião, se mostrou fundamental para mim depois desse encontro”, concluiu.

Nos últimos episódios

O ‘Papo Xadrez’ alcançou sua vigésima edição com uma conversa sobre fé e religião com a Iyalorisá Mariléia de Òsùmàrè. A última transmissão do podcast marca também as boas-vindas a Ananda Leonel, nova apresentadora do ‘Papo’. Ao longo dessas 20 semanas foram cerca de 40 horas de conteúdo ao vivo e 53 cortes produzidos. Todos os encontros que já aconteceram até aqui seguem disponíveis na íntegra pelo canal do YouTube ‘Papo Xadrez’.

No último episódio, os apresentadores receberam a cientista política e ativista goiana Ludmila Rosa. Sendo a primeira convidada no ‘Papo’ a tratar sobre política, Ludmila inaugura um segmento muito bem quisto por parte da equipe. Além de falar sobre sua trajetória nos bastidores da vida pública, a cientista desenvolve discussão filosófica sobre a participação do povo na política e fala sobre o clima que se estabeleceu para as eleições que se aproximam. 

Na 18° edição do podcast, o bate-papo foi sobre beleza e empreendedorismo. Esteve nos estúdios do jornal ‘O Hoje’ Bárbara Prado que, junto de sua irmã Bethânia, administra o Salão Illuminé. A cabeleireira fala da rotina na indústria da beleza, e conta das percepções que têm sobre a forma da mulher se cuidar. Ela aponta que o carro-chefe do salão, hoje, é a transição capilar: “antigamente tinha aquilo de ‘o liso é bonito’ e não existe isso mais. Hoje as cacheadas são lindas”.

Veja Também