Pizza ganha país como um prato saboroso e fácil

Ilustrado por ensaios exclusivos do fotógrafo Caio Ferrari, prova que, ao menos neste caso, a expressão “tudo acaba em pizza” é bem-vinda

Postado em: 12-07-2022 às 08h43
Por: Lanna Oliveira
Ilustrado por ensaios exclusivos do fotógrafo Caio Ferrari, prova que, ao menos neste caso, a expressão “tudo acaba em pizza” é bem-vinda | Foto: Divulgação

Uma massa bem preparada, com bordas enroladas em formato circular, adicione o molho, queijos e temperos, alguns minutos de forno e está ‘finita la tua pizza’! Um dos pratos mais amados pelos brasileiros ganhou um dia só seu, comemorado no dia 10 de julho. O Dia Nacional da Pizza foi instaurado em 1985 após um concurso do estado de São Paulo idealizado pelo então secretário do turismo Carlos Luiz de Carvalho, que, à época, elegeu as dez melhores receitas paulistas. Mas o que faz do prato um dos mais apaixonantes da culinária italiana?

A paixão pelas famosas pizzas é tanta que os números impressionam, segundo a Associação de Pizzarias Unidas do Brasil (APUBRA), o Brasil conta com cerca de 112 mil pizzarias ativas. De acordo com outras pesquisas, os brasileiros saboreiam cerca de 1,7 milhões de pizzas por dia, sendo a maioria no estado de São Paulo. A fixação pelo prato não para por aí, desde quando a receita desembarcou no Brasil, a tira colo dos imigrantes italianos, ela ganhou novas roupagens e também o coração dos brasileiros.

Em seus primeiros dias em terras nacionais, a pizza começou a ser vendida por ambulantes e comercializada na porta das fábricas desde manhã cedo. Era uma comida barata e que matava um pouco a saudade de casa dos italianos que viviam por aqui. Só depois passou a ser comercializada em restaurantes e estabelecimentos próprios. Passou de seu status de comida da classe operária à prato requintado, feita por grandes chefs. Para contar essa transição, a especialista em gastronomia, Flávia G. Pinho lança o livro ‘Uma Fatia da Itália’.

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Para além das contradições de sua origem, a jornalista e também pesquisadora de História da Alimentação, relembra a chegada da receita italiana em terras brasileiras, o processo de conquista do paladar tupiniquim e apresenta ao leitor as adaptações feitas por pizzaiolos do País. “Até o primeiro terço do século XX, mesmo na Itália, o hábito de comer pizza permaneceu praticamente restrito a Nápoles – para se ter uma ideia, a primeira pizzaria de Milão foi inaugurada somente em 1929.”

Suas transformações e como harmonizá-las

Em território brasileiro, o prato passou por uma transformação em função da carência de ingredientes e limitações técnicas. Da massa ao tipo de forno, passando pelas coberturas, tudo mudou ao longo do tempo. Enquanto os pizzaiolos italianos adicionavam molho, queijo e algumas folhas de manjericão, os brasileiros adicionavam à receita outros ingredientes que tinham à disposição. Um dos motivos que fizeram da massa da pizza paulistana ser fina e crocante, dando mais possibilidade para recheios criativos.

A pizza napolitana, originalmente, é fofa e alta. Para isso você precisa de uma farinha boa, isso no Brasil era impossível no começo do século 20. Outra característica marcante da pizza paulistana é o excesso de cobertura. Há várias teorias que explicam o fenômeno brasileiro. Tem gente que diz que na Itália havia uma carência de ingredientes em grande quantidade e aqui no Brasil havia fartura. Há pessoas, porém, que dizem o contrário: quem vem de um período de carência da guerra tem uma cultura do não desperdício.

Há também teorias que falam que os donos de pizzarias em São Paulo não faziam as pizzas, quem colocava a mão na massa eram os empregados. Então estes funcionários passaram a recheá-las com ingredientes de acordo com a própria cabeça. O fato é que a pizza com toneladas de queijo e cobertura é uma característica paulistana, que acabou virando uma caraterística brasileira. Sendo napolitana ou abrasileirada, as pizzas são uma ótima pedida para quem quer saborear uma boa receita.

Para vivenciar a verdadeira experiência italiana, nada mais especial do que comer uma boa pizza acompanhada daquele vinho agradável. É certo que os tintos, em geral, dominam esse cenário. Isso acontece porque a massa da pizza e o molho de tomate harmonizam muito bem com esse estilo de vinho. Porém, existem muitas opções de recheios que permitem diversas combinações: Calabresa ou pepperoni e Cabernet Sauvignon; champignon e Pinot Noir; margherita e Corte Português; presunto cru com figos e Tannat; quatro queijos e Chardonnay; portuguesa e Merlot; frango com Catupiry e espumante Brut; rúcula com tomate seco e Sauvignon Blanc.

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