Exposição ‘Máquina Kolunga’ abre para visitação

Mais uma vez o átrio do Sesc Belenzinho é palco de um trabalho especialmente concebido para a sua arquitetura

Postado em: 29-07-2022 às 09h24
Por: Redação
Sesc Belenzinho é palco de um trabalho especialmente concebido para a sua arquitetura | Foto: Renato Parada

Mais uma vez o átrio do Sesc Belenzinho é palco de um trabalho especialmente concebido para a sua arquitetura. Aline Motta em sua ‘Máquina Kalunga’, por meio de fotografias e projeções, reafirma o leitmotiv de sua obra: a busca por suas origens e uma conexão profunda com a natureza. Nesta instalação, a artista busca proporcionar um mergulho em sua poética, em que a própria arquitetura do espaço com suas transparências, reflexos e rebatimentos se transformam em possíveis manifestações físicas do mundo espiritual.

Como Aline esclarece, “’máquina kalunga’ é uma máquina de ver o invisível com seus olhos d’água”. Segundo cosmologias centro-africanas, o que separa as dimensões dos vivos e dos mortos é uma linha fina de água chamada Kalunga. “Nessa forma de ver o mundo, a água guarda memória, a água é vista como um veículo, a água é uma máquina do tempo”. Assim, Aline foi buscar, em seu extenso arquivo, imagens que continham água, tema que protagoniza também o seu livro recém lançado ‘A água é uma máquina do tempo’ (Fósforo/Luna Parque Edições).

Em ‘Máquina Kalunga’, com curadoria de Claudinei Roberto da Silva, as projeções no piso do átrio partem de fotos 3×4 ampliadas e impressas em tecido leve, voal. Essas imagens sobre tecido colocadas em contato direto com a natureza foram fotografadas pela artista em viagens. Além de Vassouras/RJ, cidade de sua família materna, ela levou as peças para Mariana/MG, aldeias no norte de Portugal e para o continente africano, onde esteve em Serra Leoa e Nigéria. Para a intervenção no Sesc Belenzinho, Aline selecionou somente as fotografias de obras colocadas sobre rios, cachoeiras e mar para construir um diálogo com o espaço da unidade. “Quis que as imagens das pessoas retratadas, ao serem projetadas no piso, surgissem como se fossem da água da piscina que está visível sob o chão de vidro transparente do átrio”, afirma Aline.

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Já na grande lateral de vidro do espaço, foi ampliada e plotada uma foto da série ‘(Outros) Fundamentos’ (2017-2019), a última parte da trilogia iniciada com ‘Pontes sobre Abismos’ e ‘Se o mar tivesse varandas’. A imagem apresentada no Sesc Belenzinho foi captada em Lagos/Nigéria, contudo o projeto também foi desenvolvido em Cachoeira/BA e Rio de Janeiro/RJ para dar conta das consequências da jornada que a artista empreendeu em busca de suas raízes. Com isso, Aline Motta procura reestabelecer laços com seus ancestrais comuns, através das águas e pontes que conectam as três cidades, imaginando uma possível comunicação por espelhos, que refletiriam a mesma luz dos dois lados do Atlântico.

“O carvão, que é resultado do magma, quando submetido a pressões altíssimas e violentas transmuta-se em diamante. A ‘Máquina Kalunga’ de Aline Motta verte em diamante o carvão da memória, magma solidificado da sua e da nossa história. Sua poesia faz as vezes da pressão que, submetendo a história a organiza em imagens, que transcendem, mas também confirmam o contexto que comentam. Como todo diamante a obra resultante desse processo é polifacetada”, afirma o curador.

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