Série documental traça um panorama do que foi a ditadura brasileira

A produção tem trilha sonora original de Daniel Gonzaga e estreou com exclusividade no canal Music Box Brazil

Postado em: 23-09-2022 às 08h50
Por: Lanna Oliveira
Trinta e sete anos após a redemocratização brasileira, o fantasma da Ditadura Civil-Militar ainda se faz presente | Foto: Divulgação

Relembrar o passado é a melhor forma de não repeti-lo e essa é a proposta da série documental ‘O Silêncio que Canta por Liberdade’. A produção traça um panorama do que foi a ditadura brasileira e como o movimento artístico nordestino sofreu com as repressões e censuras à sua arte. Por meio de depoimentos de compositores, jornalistas e artistas renomados parte da história do Brasil é contada. Parte esta que deixou marcas e ainda hoje reverbera nas vivências de quem luta por uma cultura democrática.

Trinta e sete anos após a redemocratização brasileira, o fantasma da Ditadura Civil-Militar que assolou o País por mais de duas décadas ainda se faz presente. A série documental ‘O Silêncio Que Canta por Liberdade’, idealizada por Úrsula Corona que também assina a direção e Omar Marzagão, também responsável pela direção geral, foi pensada para um público que buscar compreender o impacto deste período na cultura nacional. Recortando a realidade nordestina, dá para entender como aconteceu o processo.

Contada em oito episódios, a série apresenta a trajetória da cultura nacional através das vivências de nomes renomados como Moraes Moreira, Alceu Valença, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico César, Caca Diegues, Capinam, Otto, entre outras personalidades importantes. Os depoimentos trazem a autoridade moral daqueles que lutaram pela liberdade de expressão e por suas vidas durante a ditadura, oferecendo ensinamentos à nova geração de brasileiros sobre o valor da democracia e da arte como veículo de resistência.

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“Fico muito honrada de estarmos juntos realizando essa série para deixar esse legado para outras gerações. Nossa história não será apagada. Um retrato desconhecido de uma região única com talentos inenarráveis que transborda música e dor. Cada episódio traz ao espectador o mundo de dentro de cada artista e de como a sua arte foi fundamental para a ressignificação e superação de tempos tão difíceis. A música foi a ferramenta fundamental para o ‘Silêncio’ ser superado. Eu como filha de nordestina, neta de índio fulnio, fico emocionada de aprender tanto nessa jornada e concretizar esse projeto feito com tanta entrega”, afirmou Úrsula Corona.

 “Para nós preservar a memória cultural do nosso País através dos nossos projetos é um dos pilares que sustenta nossa produtora. Acreditamos que só através desse olhar sobre o nosso passado podemos olhar para o futuro, nos oferecendo uma chance para refletir sobre nossa história e ter consciência para não repetir os mesmos erros. ‘O Silêncio que canta por liberdade‘ nos dá a oportunidade de fazer perguntas diferentes sobre o passado e aprender coisas novas sobre nossa história e sobre nós mesmos”, Omar Marzagão.

Conheça os episódios

O primeiro episódio da série, ‘O Desacato à Liberdade’ retrata o panorama do que foi a ditadura brasileira e como o movimento artístico sofreu com as repressões e censuras à sua arte. Paralelo a isso, explora-se os preconceitos que os artistas nordestinos sofriam no Brasil meridional. Contudo, é neste momento que a cultura nordestina ganha efervescência, através das vozes de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. No segundo, o berço do Brasil, onde o País começou, os artistas baianos compartilham a importância da matriz africana para a influência da música local.

Em seguida, o ‘Somos Todos Iguais’ faz justiça à pluralidade musical da Bahia, denunciando a censura sofrida em suas composições. Dentre as sonoridades baianas, nesse episódio se destaca o axé, o ritmo afrobrasileiro industrial da Bahia, que por vezes foi marginalizada por ser considerada um ritmo comercial. No episódio 4, é a vez do ‘Pessoal do Ceará’ compartilhar suas experiências durante a ditadura, com relatos de artistas que vivenciaram a prisão e a violência sem abrir mão de se manifestar, tendo como um de seus precursores Belchior.

Com tantos estilos musicais, tradições e culturas, Pernambuco é o berço de várias influências na cultura brasileira, sob a regência de Luiz Gonzaga. No quinto episódio artistas compartilham a efervescência da cultura pernambucana durante a ditadura militar. A pluralidade musical pernambucana segue sendo abordada no sexto episódio da série. Artistas relembram os movimentos importantes do estado, como a Feira de Música Experimental, conhecida como o Woodstock Pernambucano. A resistência dos artistas paraibanos é a protagonista do episódio 7, e no último ocorre o encontro entre a geração que viveu a ditadura e a nova geração de artistas nordestinos.

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