Theatro Sebastião Pompeu de Pina tem restauração retomada 

Local foi palco de importantes eventos culturais, entre eles a 8ª Festa Literária de Pirenópolis

Postado em: 22-11-2022 às 09h30
Por: Luan Monteiro
Local foi palco de importantes eventos culturais, entre eles a 8ª Festa Literária de Pirenópolis. | Foto: Reprodução

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo, retomou nesta semana a obra de restauração do Theatro Sebastião Pompeu de Pina, localizado Rua Comendador Joaquim Alves, no entorno da Igreja Matriz de Pirenópolis. A primeira etapa da revitalização foi iniciada em dezembro de 2019.

O teatro faz parte do Conjunto Arquitetônico, Urbanístico, Paisagístico e Histórico da Cidade de Pirenópolis, tombado pelo Iphan em 10 de janeiro de 1990. A última restauração do teatro foi feita entre os anos de 1998 e 1999.

O edifício é clássico e possui estilo híbrido luso-brasileiro, com estrutura de madeira. Por conta disto, surgiram danos estruturais, diagnosticados em 2019. Para conter os problemas, a Superintendência do Iphan em Goiás promoveu uma ação de salvamento emergencial de reestruturação do edifício como garantia da sua permanência dentro do conjunto tombado de Pirenópolis.

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Dentre os serviços executados, destacam-se os serviços de retirada de entulhos e materiais remanescentes com devida limpeza e desinfecção dos ambientes. Também foram realizados serviços de reestruturação da fachada frontal; remoção de esquadrias de madeira não originais e serviços de recomposição dos vãos e esquadrias de madeira a permanecerem. Foi executada, ainda, a retirada do lanternim do telhado, visto que será instalado um sistema de climatização fechado. A medida garante dispersão mínima da temperatura e menor impacto visual nas fachadas do edifício, assim como maior conforto acústico ao Teatro. A expectativa é que a obra de 667,41 m² fique pronta em 11 meses. 

Principais Mudanças

Serão implantados projetos de acessibilidade para as áreas comuns na plateia, palco e sanitários térreos. Também serão instalados equipamentos de combate a incêndio, como sinalizadores, extintores de pó e outros exigidos pelo Corpo de Bombeiros. Será realizada, ainda, pintura anti-chama na madeira. 

Na estrutura interna do prédio, propõe-se o retorno do piso em ladrilho de barro na área da plateia, a restauração e substituição dos pisos do hall de entrada e do palco, assim como a resolução dos problemas de água ascendente no edifício, especialmente no subsolo. Na parte externa, será feita a manutenção e resolvido os problemas estruturais da edificação.

O Theatro Sebastião Pompeu de Pina   

O conjunto tombado de Pirenópolis foi constituído no ciclo do ouro no Brasil, no século XVIII, com a ocupação realizada por bandeirantes paulistas, a partir de 1727. O traçado urbano e as técnicas construtivas do casario reproduziram algumas características do urbanismo e das edificações de origem portuguesa. São elas: cidade voltada para o rio, acompanhamento da topografia original do terreno, uso dos recursos locais (quartzito, terra, madeira) nas construções. As edificações são térreas, em sua grande maioria, e mantêm as fachadas em alinhamento com o logradouro, cobertura em duas ou quatro águas com caimento para rua, estrutura mista em gaiola de madeira e alvenaria autoportante em terra (taipa de pilão, adobe e pau-a-pique) além das esquadrias em madeira. 

A construção do Theatro Sebastião de Pina remonta ao final do século XIX, quando Sebastião José de Siqueira doou um terreno a Sebastião Pompeu de Pina, que construiu o teatro contando com o apoio da comunidade local. O dinheiro para a construção do edifício foi arrecadado por meio de leilões de alimentos, roupas, animais e outros bens que os cidadãos da cidade doaram. A inauguração da casa de espetáculos foi realizada em 1901, com a encenação da peça ‘O Judeu’, encenada por pirenopolinos, dando início à fase áurea do Teatro, sendo mais de quarenta peças ali encenadas.

Ao longo do tempo, o sobrado erguido foi submetido a diversas intervenções, inclusive alterando sua finalidade inicial. Funcionou como cinema, bar, comércio, fábrica de móveis, dentre outras utilizações.  Em 1979, a Fundação Cultural do Estado de Goiás comprou o prédio e o restaurou, restituindo o uso como teatro. Em 1997, devido ao risco de desabamento, o teatro foi interditado, iniciando-se um amplo trabalho de restauração a partir de 1997, culminando na sua reinauguração em 1999. 

Ao longo dos seus 118 anos de existência, o edifício não sofreu muitas mudanças quanto às suas características originais. Em 2019 apresentava graves problemas de conservação em sua estrutura, recebendo ação restaurativa entre 2019 e 2021, que contemplou a reestruturação da fachada frontal (leste) e de outros elementos estruturais da gaiola de madeira, além de serviços de demolições e construções. 

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