Sexta-feira, 03 de fevereiro de 2023

Documentário teatral ‘TDEZESSEIS’ relembra a vida de Angela Davis

Em exibição do dia 30 de novembro a 11 de dezembro, a montagem ‘TDEZESSEIS’ conta com Tarina Quelho na direção

Postado em: 22-11-2022 às 10h30
Por: Lanna Oliveira
Em exibição do dia 30 de novembro a 11 de dezembro, a montagem ‘TDEZESSEIS’ conta com Tarina Quelho na direção. | Foto: Reprodução

Uma história que embaralha ficção com vida real, memórias e o presente. O documentário teatral ‘TDEZESSEIS’ relembra a vida de Angela Davis na mesma proporção que apresenta a performance da atriz Monalisa Silva. Com exibição online pelo YouTube, a dramaturgia investiga quanta violência é necessária para contar uma história. Quais significações um corpo racializado imprime inserido no ambiente doméstico? Quais comportamentos infringem a coreografia da cordialidade? Como estranhar a própria casa?

Em exibição do dia 30 de novembro a 11 de dezembro, a montagem ‘TDEZESSEIS’ inicia um diálogo atravessado pela violência da intimidade. Tudo por meio do depoimento de uma mulher negra brasileira e o relato autobiográfico da intelectual e ativista americana Angela Davis. Além da atuação de Monalisa Silva, a artista é responsável pela dramaturgia, e Tarina Quelho assina a direção, além da codireção Castiel Vitorino Brasileiro. Nesse espiral de memórias e ficção se confundem e formam o enredo.

A trama é um solo sobre a sociabilidade inter e intrarracial que tenciona a relação performer-espectador revelando a responsabilidade inerente à escuta do público. ‘T-16 Parque João Ramalho’ é o nome da linha de ônibus que ligava a casa da Monalisa Silva aos focos financeiros, educacionais e culturais da grande São Paulo. Refletindo sobre trânsitos entre as margens e o núcleo, o projeto registra oito apresentações que Monalisa realizou em residências distribuídas pelo centro e periferias da região metropolitana de São Paulo.

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A dramaturgia perpassa os limites entre biografia e invenção enquanto estuda como a trajetória individual pode conter sentidos coletivos. Entre os espectadores, estão representantes de diferentes aspectos da vida social da performer: família, trabalho, universidade, religião. Disponível no canal, o monólogo faz com que o público se familiarize com uma mulher brasileira racializada que espelha-se e confunde-se com a autobiografia da intelectual e ativista americana Angela Davis.

A ativista que mudou a história

Mas de qual maneira Angela Davis se transformou nessa referência da luta social? A partir de suas experiências e suas lutas. A ativista é umas das mais importantes feministas contemporâneas. Sua potente história de luta política encarnou uma geração de reivindicações por humanidade, igualdade e liberdade não só para o povo negro, mas para todas as parcelas oprimidas da sociedade. O sentido de suas reflexões aliou, como ninguém, teoria e prática, em uma leitura da história, da sociedade e da política, que estiveram e ainda estão fundamentalmente conectadas com um novo devir.

O trabalho de Davis inspira a recontar a história da luta das mulheres, a partir de um olhar que inclua o exame das contradições dos contextos políticos, as estratégias perseguidas pelas mulheres organizadas e de modo interseccional, compreendendo historicamente como gênero, raça e classe foram se configurando para manutenção das opressões e para as possibilidades de emancipação. O monologo é um resgate da voz que historicamente contribuiu decisivamente para o feminismo. 

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