“Ser inclusivo e diverso é regra!”

Jornalista Mônica Salgado comanda talk show sobre temáticas ligadas à moda nesta quinta

Postado em: 10-05-2018 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Jornalista Mônica Salgado comanda talk show sobre temáticas ligadas à moda nesta quinta

GABRIELLA STARNECK*

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A jornalista Mônica Salgado ministra, nesta quinta-feira (10), um talk show sobre o tema Moda na Passarela x Moda na Vitrine no Goiânia Shopping. O evento é aberto ao público, sem necessidade de fazer inscrição. Com espírito visionário e empreendedor, Mônica impôs ao mercado uma nova maneira de fazer revista feminina no Brasil – inclusiva, moderna, engajadora e 100% digital. 

Após passagem pela redação da revista Vogue, onde atuou como redatora-chefe, Mônica dirigiu por cinco anos a versão nacional da Glamour – que se tornou a publicação voltada para mulheres mais vendida em bancas do País. 

Hoje, a jornalista se  se reinventou: é colunista do programa Vídeo Show, da TV Globo, e viaja pelo Brasil com palestras sobre moda, redes sociais, carreira e empreendedorismo. 

“Eu me formei no fim do ano 2000, e sempre trabalhei com jornalismo feminino e comportamento. Eu acho que nunca tive um emprego que me afastasse dessa área – seja nos veículos, assessorias de imprensa ou em marketing. Enfim, eu acho que essas temáticas me acompanham desde que me entendo por gente. Há quase 20 anos trabalho com moda”, afirma Mônica. E, para falar um pouco mais sobre a sua carreira e interesse pela moda, a jornalista concedeu uma entrevista ao Essência. Confira abaixo. 

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação da 

editora Flávia Popov

SERVIÇO

Palestra com a jornalista Mônica Salgado

Quando: quinta-feira (10)

Onde: Praça de Eventos do Goiânia Shopping, Piso 1 (Av. T-10, nº 1.300, Setor Bueno – Goiânia)

Horário: 19h

Entrada gratuita 

EntrevistaMônica Salgado 

Qual a proposta do tema ‘Moda na Passarela x Moda na Vitrine’?

Na verdade, a gente tem dois caminhos para essa palestra. São dois propósitos que se interligam, claro, mas que tem abordagens distintas: Moda na Passarela x Moda na Vitrine e A função da Moda no Empoderamento Feminino. Eu acho que a gente passa por um momento interessante na moda, em que há pouca diferença entre a moda conceitual, que era a moda a gente estava acostumada a ver nas passarelas, e a moda de rua, que é a moda que vemos na vitrine. Isso ocorre por uma questão comercial e também de adaptação aos novos tempos – quando as redes sociais acabam ditando o que a gente quer consumir e aguçando nosso desejo fashion. Então, hoje, a gente vê muito pouca diferença entre uma e outra, porque os styles são possíveis e as propostas também – a gente deseja imediatamente. Esses dois universos, que antigamente chamávamos de ‘moda conceitual’ e ‘moda comercial’, eles se fundiram de tal modo que não existe mais uma coisa ou outra. Eu acho que não é Moda na Passarela x Moda na Vitrine, mas sim Moda na Passarela e Moda na Vitrine – ou Moda na Passarela com Moda na Vitrine. Essa preposição adversativa foi mudada para uma preposição de aglutinação, de soma. 

Assim como a moda pode ser benéfica para o público feminino, os padrões que são impostos socialmente também podem prejudicar as mulheres. Como abordar esse assunto de forma positiva?

Hoje, está tão mais fácil abordar esse assunto de forma positiva! Eu acho que, de um ano para cá, principalmente, a gente vem acompanhando tantas mudanças no editorial das grandes revistas, nas redes sociais e na publicidade. Hoje em dia, ser inclusivo e diverso não é mais uma opção, é regra! É obrigatório você representar todas as mulheres que te consomem. Não é mais uma sessão, um capricho ou perfumaria que você aplica no seu produto; é realmente como tem que ser feito, é a cara dos novos tempos! E que bom perceber que esse é um movimento que abraça todas as mídias. Mas, sem dúvida nenhuma, ainda que ele abrace todas as mídias, quem começou esse movimento, que de fato difundiu e trouxe essa discussão para mesa, foram as redes sociais – que deram voz a todos os tipos de mulheres, crenças e percepções de mundo. Se não fossem as redes, talvez os grandes veículos tivessem demorado um pouco a perceber e entender a importância de ter abordagens diversas e inclusivas como a gente enxerga hoje. Essa nova geração não aceita mais esse tipo de diferença. Essa geração nasceu com a diversidade, com a internet, e se criou nas redes sociais, então essa diferenciação não faz sentido. 

Você ficou conhecida por impor no mercado uma nova maneira de fazer revista feminina no Brasil. Qual diferencial você sempre objetivou trazer em seus trabalhos?

O diferencial, na verdade, sempre foi e é uma coisa que levo até hoje – apesar de não dirigir a mesma revista feminina: ‘vamos fazer diferente, vamos surpreender!’. Então isso é mote em todos os projetos em que me envolvo, que é fazer o que ninguém nunca fez. Fazer mais do mesmo, para mim, não acrescenta – nem para mim e para quem consome aquele produto, nem para o mercado e não acrescenta para a história que vamos construir. Então esse sempre foi o mote que me guiou na Glamour, e acho que por isso que sempre fomos inovadores. Como eu nunca tinha vendido revista antes, apesar de ter passado cinco anos na Vogue, sempre gostei de me dedicar a outros projetos e me informar acerca de outros universos. Eu acho que não era viciada no modo operante das revistas ou das grandes editoras lendárias que, hoje, nem estão mais no mercado – e isso talvez diga muito sobre elas. Eu não tinha ‘rabo preso’, eu não tinha uma história no mercado editorial para prezar, então isso me deu liberdade para criar em cima do nada. Eu sempre digo que eu tinha uma tela em branco para pintar uma linda história, e assim foi feito!   


De que forma você acredita que a sua atuação no mercado tem contribuído para o emponderamento de mulheres?

Eu tenho abordado muito esse tema nas minhas palestras. Então eu espero que multiplicando esse conhecimento para todas as pessoas que me assistem e participam da minha vida; que eu esteja colaborando para formar uma geração e um consumidor mais consciente, além de uma geração de mulheres que se sintam encaixadas, valorizadas e lindas.

Como surgiu o seu interesse pela moda?

Meu interesse pela moda surgiu desde que me conheço por gente. Acho que, num primeiro momento da nossa vida, nossas mães e mulheres que estão ao nosso redor acabam influenciando muito a gente. E acho que foi por causa da minha mãe – ela sempre foi muito vaidosa, leitora de revistas femininas –, e eu encontrava as revistas em casa e queria consumi-las. Além disso, minha mãe é professora de português, então optar pela comunicação foi um caminho muito natural para mim. Eu nunca cogitei nenhuma outra carreira, porque eu sempre gostei muito de escrever e contar histórias. Eu acho que isso me direcionou para o mundo da moda, porque eu sempre gostei muito de história também – era minha disciplina favorita junto à gramática. E eu acho que a moda conta uma história muito fidedigna, muito reveladora do que foi uma fotografia daqueles tempos em que ela viveu.  Então você consegue explicar tanto da sociedade, das crenças e dos costumes de uma época analisando roupas que eram usadas. Eu amo esse tempo! Eu amo quando as peças se encaixam, as coisas fazem sentido, e a moda explica, provoca uma emoção muito grande; ela realmente é um espelho muito importante, falando de moda feminina, das crenças das mulheres e das posições que elas ocupavam na sociedade. Por causa desses meus interesses, desde sempre na escola, eu fui para esse universo – da moda, da beleza, do jornalismo feminino.  

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