Fundação Edson Queiroz celebra 50 anos com exposição do século XVII à arte contemporânea

Postado em: 07-04-2021 às 08h40
Exposição traz ao público uma disposição inédita de obras de importantes artistas da história da arte | Foto: Reprodução

Lanna Oliveira

Pensar, instigar e guiar uma
reflexão pela história da humanidade são alguns dos objetivos da arte. Este
intuito permeia ‘50 Duetos – 50 anos da Fundação Edson Queiroz’, exposição que
celebra os 50 anos da Fundação Edson Queiroz, instituição sediada na Universidade
de Fortaleza. Com curadoria de Denise Mattar, a mostra ocorre virtualmente no
site da Unifor por meio de vídeos e galeria de fotos. A exposição seguirá até
dia 23 de dezembro e assim que for possível, também será aberta ao público no
espaço físico, em Fortaleza.

São mais de 100 obras de
diferentes artistas, períodos e técnicas, trabalhos emblemáticos que perpassam
o século 17 à Arte Contemporânea, organizados em pares e dispostos lado a lado
a partir de conexões diversas, desde paralelismo visuais, afinidades temáticas
e eletivas, até mesmo suas oposições. “Minha proposta curatorial tem muito
a ver com os tempos de hoje, com o mundo atual onde as coisas vão se conectando
de formas diferentes, onde as pessoas têm necessidade de uma visualização mais
rápida”, explica Denise Mattar.

“Vale comemorar com esta
exposição, que aporta no Espaço Cultural Unifor em um ano desafiador, quando a
arte se torna ainda mais essencial diante do ímpeto de afirmação da vida,
apesar de tudo. Vem dela o poder terapêutico e o olhar sensível que devem se
derramar sobre o mundo. E é esse espírito de união, entrelaçamentos e diálogo
proposto em 50 Duetos com que irão se deparar os espectadores que se colocarem
diante dos pares de obras expostos”, reflete Lenise Queiroz Rocha, Presidente
da Fundação Edson Queiroz.

“Em celebração a seus 50
anos, a Fundação Edson Queiroz apresenta a exposição 50 Duetos, que reforça sua
filosofia de aliar as iniciativas culturais à missão de educar com excelência.
A mostra apresenta conexões nunca antes feitas com obras da Coleção Fundação
Edson Queiroz, suscitando debates que permeiam diversas áreas do conhecimento.
Imperdível tanto para a comunidade acadêmica quanto para o público apreciador
de arte”, destaca o Vice-Reitor de Extensão da Universidade de Fortaleza,
professor Randal Pompeu.

A exposição

50 Duetos traz ao público uma
disposição inédita de obras de importantes artistas da história da arte que
integram o acervo da Fundação, dentre os quais: Antonio Bandeira, Anita
Malfatti, Almeida Júnior, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Bonaventura
Peeters, Candido Portinari, Cícero Dias, Cristiano Mascaro, De Fiori, Djanira
da Motta e Silva, Di Cavalcanti, Fernando Botero, Félix-Émile Taunay, Iberê
Camargo, Ismael Nery, Irmãos Campana, Frans Krajcberg, Geraldo de Barros, Leda
Catunda, León Ferrari, Luiz Hermano, Mariana Palma, Maria Martins, entre
outros.

Abrindo a exposição, um conjunto
de litografias do icônico artista espanhol Salvador Dalí dialoga com escultura
do austríaco-brasileiro Xico Stockinger, considerado um dos principais
escultores modernos, a partir do tema Dom Quixote. A série de litografias de
Dalí, intitulada Dom Quichotte, foi realizada na década de 1950 inspirada em
trechos selecionados do emblemático livro homônimo de Miguel Cervantes,
enquanto a obra de Stockinger, que integra sua série de Guerreiros, foi criada
em 1970 como um protesto velado à ditadura que pairava sob o Brasil.

No duo formado por obras de
Belmiro de Almeida e João Câmara, a curadora chama a atenção do visitante para
a semelhança visual e da composição das telas. Trata-se de ‘Figuras femininas’
(c.1900), tela construída de forma quase impressionista por Belmiro, e ‘Langueur
do Outono’ (1989), do contemporâneo João Câmara. O dueto traz um QR Code que
leva o visitante até um depoimento em vídeo de João Câmara, no qual o artista
fala sobre a obra exposta, trabalho da série ‘O Tango em Maracorday’ (1989).

Também de irrefutável semelhança,
está o dueto composto por autorretratos de Ismael Nery e Iberê Camargo, que
dialogam tanto pela aparência física das figuras retratadas, quanto na
densidade dos personagens. A melancolia, tema que tem sido, ao longo dos
séculos, uma grande inspiração para as artes, conduz o dueto formado por Lasar
Segall e Vik Muniz. Com o tema ‘A Melancolia Expressionista’, a exposição traz
a emblemática tela ‘Duas Amigas’ (1914), do pintor lituano Segall, ao lado da
obra ‘Melancholy’ (2008), de Vik, expoente da Geração 80.

Sob a ótica da ‘Poética do
cotidiano’, a mostra traz lado a lado obra da série ‘Ambiente Virtual I’
(2001), da artista carioca Adriana Varejão, com a infogravura ‘ACQUA XLVII’
(2013) de Sérgio Helle, artista cearense há mais de três décadas em plena
atividade, que mescla ferramentas digitais às tradicionais técnicas da pintura.
Alfredo Volpi e José Guedes são conectados na exposição pelo domínio singular
das cores, da textura e do espaço pictórico. Os pigmentos e a explosão das cores
permeiam, ainda, o duo de Eliseu Visconti e Luiz Sacilotto.

(Lanna Oliveira é estagiária
do jornal
O Hoje)

Serviço

50 Duetos – 50 anos da Fundação Edson Queiroz

Quando: Até 23 de dezembro

Onde: www.unifor.br

LEGENDA: Todas
as obras da exposição integram o acervo da Fundação Edson Queiroz sediada em Fortaleza (CE)

Por: Augusto Sobrinho
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