Presidente do TSE, Barroso se reúne com comissão de deputados que analisa voto impresso

Postado em: 21-06-2021 às 17h22
Por: Alice Orth
Barroso se manifestou na última sexta-feira (19), mostrando-se contrário à proposição. | Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federa (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, participa de reunião com a comissão especial que analisa a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do voto impresso, nesta segunda-feira (21/06).

A proposta para que as eleições produzam prova impressa individual é da deputada Bia Kicis (PSL-DF), e é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. O relator da proposta, o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR), pretende apresentar na próxima semana o relatório da PEC.

Barroso se manifestou na última sexta-feira (19), mostrando-se contrário à proposição e dizendo que uma recontagem de votos utilizando o sistema impresso seria um “inferno existencial” e que é “ingenuidade” acreditar que ele traria mais segurança.

Na semana passada, à CNN, o presidente do TSE lembrou que o voto eletrônico no Brasil é seguro, que nunca houve uma denúncia concreta de fraude e avaliou que o voto impresso pode trazer riscos às eleições. “Nós temos a expectativa de 140, 150 milhões de eleitores, agora em 2022, então vamos ter 150 milhões de votos de papel, que vão ter que ser transportados para algum lugar, num país em que se rouba carga e que tem milícia no Rio, PCC em São Paulo e Amigos do Norte por aí a fora. Depois de transportar nós vamos ter quer armazenar”, afirmou o ministro.

“É um mundo em que nós vivíamos antes das urnas eletrônicas, que são aquelas mesas apuradoras, todo mundo manuseando voto, e aí aparece voto, some voto, some urna. Foi disso que nós nos livramos e é a isso que nós corremos o risco de retornar”, lembrou. “Com voto impresso nós temos uma longa história de fraudes, que vêm desde o Império”. Ele afirma que nunca houve histórico de fraudes desde que se utiliza o sistema eletrônico.

Nesta segunda-feira (21), Bolsonaro voltou a defender a impressão dos votos, dizendo que “se o Congresso aprovar e promulgar, teremos voto impresso. Não vai ser por uma canetada de um cidadão como esse daqui [Luís Roberto Barroso] que não vai ter voto impresso, pode esquecer”, declarou ele. “Só na fraude o nove dedos [se referindo ao ex-presidente Lula] volta”.

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