Anonymous convoca população contra manifestações de 7 de setembro

Postado em: 06-09-2021 às 18h53
Por: Redação
Grupo de hackers formado em 2003 acusa o presidente Bolsonaro de orquestrar um golpe de Estado com o apoio das forças armadas | Foto: reprodução

O grupo de hackers Anonymous, contrário a atual gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), chamou a população que não apoia o presidente a ir às ruas, no feriado de 7 de setembro, celebrado amanhã, para exigir o impeachment do chefe do executivo nacional.

Eles acusam o presidente de orquestrar um golpe de Estado com o apoio das forças armadas. A iniciativa vai de encontro com as manifestações dos apoiadores do presidente, que acontecerá também amanhã. 

Em Goiânia, as manifestações, no dia da Independência, favoráveis a Bolsonaro irão acontecer na Praça dos Bandeirantes, região Central de Goiânia, a partir das 9 horas da manhã. Conforme apoiadores, o ato pró Bolsonaro acontecerá em todas as Capitais Brasileiras, com maior  número de apoiadores, em Brasília.

Entenda o caso

A convocação do grupo Anonymous aconteceu na última terça, 31 de agosto, quando invadiu o site da empresa FIB Bank, suspeita de integrar um esquema milionário de corrupção, a partir de acordos financeiros, apurados no valor de R$ 80,7 milhões.

A empresa Bank é investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Covid, no Senado Federal, por realizar um contrato financeiro entre a Precisa Medicamentos e o Ministério da Saúde, no que tange ao caso da venda da vacina indiana Covaxin. O diretor do FIB Bank, Roberto Pereira Ramos Júnior, prestou depoimento a comissão no Senado, no dia 25 de agosto.

Confiram o discurso na íntegra

Saudações, cidadãos do mundo. Muitos acontecimentos recentes do Brasil nos chamaram a atenção. O presidente Jair Bolsonaro sabe que sua aprovação tem caído entre a população que tem sido massacrada pelas atrocidades cometidas por seu desgoverno. Desde então, ele vem flertando cada vez mais com a possibilidade de um golpe.

 Assim como Trump, depois de ter colocado o processo eleitoral em suspeita sem nenhum tipo de evidência plausível e ser derrotado, tudo que restou a Bolsonaro foi ser vago em suas recentes declarações em seu chiqueirinho: “Pode ter certeza, vamos ter uma fotografia para o mundo do que vocês querem. Eu só posso fazer alguma coisa se assim vocês desejarem”. O que Bolsonaro pretende com este chamado é preparar uma narrativa onde o povo deseja que ele permaneça no poder uma vez que as eleições não são confiáveis de acordo com ele. Como se o povo quisesse o fim da pouca, imatura e limitada democracia que ainda possuem.

Nós, no entanto, acreditamos que o caminho para uma sociedade ideal vem com mais democracia, e não menos. Com a participação popular nas tomadas de decisão, ao invés de uma carta branca sendo entregue a cada 4 anos. Acreditamos na autogestão, e não na falácia de um ditador benevolente. O povo merece poder, não um coturno em sua cara. Por isso, é importante que neste 7 de setembro, nós tomemos as ruas para mostrar que o queremos fora do governo, derrotado. Em suas próprias palavras, restarão apenas duas opções para ele: prisão ou uma cova.

 Precisamos mostrar que as minorias, quando juntas sob a mesma bandeira, são a maioria. Precisamos de um grito real de independência para fazer esta data entrar mais uma vez para a história. E nós estaremos entre vocês. O que resta ao presidente é a mensagem de que nós não ficaremos parados enquanto você flerta com o golpe.

A guerra está declarada e faremos você pagar por seus crimes. As pessoas que você está matando são as pessoas das quais vocês dependem. Nós fazemos o pão que você come, nós arquivamos os seus documentos, nós entregamos suas encomendas, nós estamos em todo lugar. “Nós somos Anonymous.”

Saiba Mais

O grupo de hackers intitulado Anonymous é um coletivo formado em 2003. Segundo os integrantes, qualquer pessoa que se identifique pode contribuir para vazar informações.  A filosofia dos Anonymous é: “Somos uma Legião. Não perdoamos. Não esquecemos. Somos os Anonymous” As ações são feitas a partir do roubo de dados, por meio de ataques cibernéticos.

Wallissia Albuquerque (especial para O Hoje)

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