Pesquisa aponta que impacto da pandemia na saúde mental afeta quatro em cada dez brasileiros

Estudo também registra que jovens e mulheres fora os que mais sofreram com saúde mental no mesmo período

Postado em: 21-09-2021 às 16h08
Por: Maria Paula Borges
Estudo também registra que jovens e mulheres fora os que mais sofreram com saúde mental no mesmo período | Foto: Reprodução

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha aponta que a pandemia da Covid-19 impactou na saúde mental das pessoas. A cada dez indivíduos analisado, pelo menos quatro relataram problemas psicológicos como ansiedade ou depressão desde o início da crise. Além disso, os dados registram que, no mesmo período, jovens entre 16 e 24 anos e mulheres foram os que mais sofreram em relação à saúde mental.

O estudo aconteceu em agosto, com mais de duas mil pessoas em cinco macrorregiões brasileiras e foi encomendado por uma empresa farmacêutica em parceria com a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata). Aqueles que tiveram o diagnóstico confirmado representam 28%, e 46% relataram que um parente ou amigo foram atingidos por algum sintoma. Entre os jovens, 56% relataram sintomas de depressão e ansiedade, já entre as mulheres, 53%.

Ao todo, 44% dos 2.055 brasileiros entrevistados nas macrorregiões analisadas declararam ter enfrentado esses problemas emocionais. A pesquisa traz uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento faz parte de uma campanha realizada pela Abrata e Viatris, empresa global de saúde, para o Setembro Amarelo, mês de prevenção contra o suicídio.

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Além disso, outros indicativos ressaltam a preocupação do brasileiro quando a saúde mental. Segundo a Folha de São Paulo, as buscas no Google Brasil em 2021 pelo tema chegaram ao maior patamar desde 2006, sendo o primeiro tópico mais pesquisado ansiedade, seguido de depressão.

Segundo a psiquiatra Alexandrina Meleiro, membro do conselho científico da Abrata, mesmo diante desse cenário, não há ação por parte dos governos, sejam eles federal, estadual ou municipal, para enfrentar a situação. “Na maioria das unidades de saúde não há atendimento psicológico ou psiquiátrico. As pessoas que procuram esses serviços com sintomas de pânico, de depressão e de ansiedade voltam para casa sem atendimento adequado”.

A pesquisa do instituto também mostra que a conscientização dos brasileiros sobre a depressão é pouca. Para a psiquiatra, a atenção primária precisa estar bem-preparada para fazer o primeiro atendimento e encaminhar os casos caracterizados como urgências psiquiátricas para locais que possam atendê-los de forma adequada.

De acordo com os dados coletados, pouco mais da metade dos entrevistados, apenas 53%, consideram muito importante oferecer suporte a quem esteja passando pela doença, e 10% não souberam agir diante de um conhecido que sofre de depressão. Das pessoas que passaram por doenças emocionais durante a pandemia, 62% tinham pessoas com quem contar e, quase todos, 96%, concordaram que a rede de apoio favorece a recuperação.

Para Alexandrina, cuidar da depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias é uma forma de prevenir o suicídio, uma vez que quase todos que tentam ou cometem o ato sofrem com alguma doença psiquiátrica. “Praticamente todos aqueles que tentam ou cometem esse ato têm alguma doença psiquiátrica. As estatísticas mostram que mais da metade deles estavam em acompanhamento médico até uma semana antes do episódio.”

A psiquiatra afirma ainda que quem pensa em suicídio quase sempre dá sinais, mas que a maioria das pessoas ao redor nem sempre estão preparadas para identificá-los. O suicídio ocupa o segundo lugar no ranking de causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, além de idosos, indígenas, comunidade LGBTQIA+, médicos, policiais e membros das Forças Armadas também fazerem parte dos grupos mais vulneráveis ao ato no Brasil.

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