Empresa que é alvo na CPI da Covid por suposto esquema de lavagem de dinheiro sofre operação da PF

Esta é a terceira ação policial em duas semanas em endereços relacionados ao proprietário de duas empresas de medicamentos, ambas em apuração

Postado em: 30-09-2021 às 16h16
Por: Maria Paula Borges
Esta é a terceira ação policial em duas semanas em endereços relacionados ao proprietário de duas empresas de medicamentos, ambas em apuração | Foto: Reprodução

Uma operação de busca e apreensão foi realizada na empresa Global Gestão em Saúde pela Polícia Federal (PF), Ministério Público Federal e a Receita, nesta quinta-feira (30/09). A empresa é um dos alvos da CPI da Covid, em investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Esta é a terceira ação policial em duas semanas em endereços relacionados a Francisco Emerson Maximiano, dono da Global e da Precisa Medicamentos, também sob apuração.

Um grupo com cerca de dez integrantes da Receita e da PF foi até o prédio da Global e da Precisa, em São Paulo, em ação relacionada à Operação Descarte iniciada em 2018. Está sendo apurada a suspeita de lavagem de dinheiro com movimentação que foi de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões entre os anos de 2014 e 2016, segundo a delação premiada.

A investigação tem como base a delação de Luiz Carlos D’Afonseca Claro e Gabriel Claro, ambos advogados. Gabriel relatou, em depoimento, como a Global simulou a compra de sucata por preços acima dos valores de mercado visando gerar dinheiro em espécie.

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Em 17 de setembro deste ano, a Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão de documentos em endereços da Precisa nas cidades paulistas de Itapevi e Barueri, com justificativa que era necessário obter documentos principalmente relativos à negociação da vacina indiana Covaxin, que a empresa supostamente ocultava. Posteriormente, a Global foi alvo da operação “Pés de Barro”, que apura fraudes na comercialização de medicamentos de alto custo ao Ministério da Saúde, entre 2016 e 2018, na gestão do atual líder da Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR).

A empresa é investigada pela suspeita de irregularidades na intermediação de um contrato para compra de doses da Covaxin. O preço das doses foi de US$ 15 cada, valor mais caro entre os adquiridos pelo Ministério da Saúde e as suspeitas levantadas pela CPI levaram à rescisão do contrato. Além disso, a comissão apura relação entre Maximiano e Ricardo Barros.

Durante a gestão de Barros no Ministério da Saúde, em 2018, a Global assinou um contrato de fornecimento de medicamentos raros, recebendo pagamento adiantado, mas não entregou os remédios.

Segundo a Folha de São Paulo, seis ex-funcionários que trabalharam nas firmas Maximiano relataram, sob condição de anonimato, uma rotina de pagamento de salários em dinheiro vivo, grande circulação de malas, galpão vazio, tempo ocioso para ‘ficar assistindo Netflix’ durante o trabalho e figuração de diretores em dias de fiscalização. Afirmaram também que não viram nenhum medicamento no tempo em que atuaram nos escritórios e que as situações atípicas ‘pesavam o ambiente’.

Maximiano, as empresas e Ricardo Barros negam a prática de quaisquer irregularidades em contratos do ministério.

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