Ministério da Saúde não pretende adquirir novos lotes de Coronavac em 2022

Contrato do órgão federal com imunizante desenvolvido pela Sinovac e pelo Instituto Butantan termina em outubro desse ano

Postado em: 03-10-2021 às 10h01
Por: Maria Paula Borges
Contrato do órgão federal com imunizante desenvolvido pela Sinovac e pelo Instituto Butantan termina em outubro desse ano | Foto: Reprodução

O contrato do Ministério da Saúde com a Coronavac termina neste mês de outubro. Segundo o jornal Metrópoles, fontes ouvidas afirmam que o ministério não tem interesse em adquirir novos lotes do imunizante. Um integrante do órgão federal ressalta ainda que a Coronavac ainda está com registro emergencial na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não se justificando mais compras futuras. Além disso, apresentou a inexistência de autorização da Anvisa para aplicação do imunizante em adolescentes.

Outro argumento utilizado foi que as normas técnicas não recomendam, como dose de reforço, a aplicação da fórmula. Estudos apontam que há maior efetividade com o esquema heterólogo, que consiste na aplicação da vacina com outra tecnologia como dose adicional, e a proteção da Coronavac cai com o tempo em pessoas com mais idade.

O Instituto Butantan, responsável pela fórmula juntamente com o laboratório chinês Sinovac, já se adiantou à possibilidade de ficar de fora das novas compras do ministério e anunciou a venda de doses do imunizante a cinco estados. O governo federal reagiu apontando que o acordo com a farmacêutica prevê exclusividade somente até o final do contrato. Caso descumpra o acordo, o instituto poderá pagar R$ 21 milhões em multa.

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O Butantan alegou em nota que o Ministério da Saúde não pode impedir que estados e municípios ajam com ‘celeridade para proteger suas populações’, além de dizer que a entrega de imunizantes foi concluída no dia 15 de setembro. Além disso, o instituto informou ter recolhido 1,8 milhões de doses.

Na última quinta-feira (30/09), a Anvisa informou que o pedido de registro é uma decisão que cabe ao laboratório e que não foi apresentado à agência até o momento. A Coronavac recebeu autorização de uso emergencial em janeiro deste ano.

Para o infectologista Leon Capovilla, a justificativa de apresentar um registro se trata de ‘uma questão burocrática’ que pode ser acertada. Segundo ele, o imunizante se mostrou eficaz e importante para o momento enfrentado pelo país e afirma que a Coronavac é necessária neste momento. “Tirar uma opção de uma vacina que pode ser produzida no Brasil é algo complicado. Ainda há a questão da dose de reforço, e ela se faz necessária neste momento”.

Além disso, Leon acredita na eficácia da Coronavac e tira a possibilidade de compará-la com qualquer outro imunizante. “Não tem como a gente avaliar a qualidade da Coronavac com a Pfizer, por exemplo. A Pfizer é bem mais estudada, pelo motivo de que o laboratório tem uma condição financeira melhor, mais recursos para financiar pesquisas”, diz.

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