Crise energética: órgão federal decide manter medidas contra a crise mesmo com as chuvas

Decisão aponta que não é o momento para baixar a guarda para a situação

Postado em: 16-10-2021 às 10h00
Por: Maria Paula Borges
Decisão aponta que não é o momento para baixar a guarda para a situação | Foto: Reprodução

A Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg), ligada ao Ministério das Minas e Energia, afirmou que, mesmo com as chuvas desta semana em parte do Brasil, as medidas contra a crise energética vão permanecer entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022. Durante a reunião, que aconteceu na última sexta-feira (15/10), o órgão que reúne representantes dos ministérios da Economia, Infraestrutura, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Meio Ambiente e do Desenvolvimento Regional, reconheceu o aumento das chuvas, porém foi decidido que ainda não é hora de baixar a guarda.

“Apesar do aumento das chuvas, a situação ainda requer atenção, fato também impactado pelas atuais condições do solo, bastante seco, e, portanto, maiores dificuldades de transformação das chuvas em vazões, ou seja, em volumes significativos de água que chegam nos reservatórios do país”, apontou relatório após a reunião.

O presidente da república, Jair Bolsonaro (sem partido), disse na última semana que mandaria o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, retomar a bandeira normal de energia. O Brasil está em bandeira de escassez hídrica, com cobrança mais alta para consumidores.

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Durante a Conferência Global 2021 – Millenium, realizada pela Igreja Comunidade das Nações na noite da última quinta-feira (14/10), Bolsonaro afirma que ‘dói no coração’ autorizar o decreto de bandeira vermelha. “Dói a gente autorizar o ministro Bento, das Minas e Energias, para decretar a bandeira vermelha, dói no coração. Sabemos as dificuldades da energia elétrica. Vou pedir para ele, pedir não, determinar que ele volte a bandeira normal a partir do mês que vem”, afirmou o presidente.

Segundo o presidente, “todo mundo” está sofrendo com a crise hidrológica, ressaltando ser a pior dos últimos 90 anos e que veio acompanhada da inflação, que resultou na alta da energia. “Nós estamos na maior crise – quer dizer, acabou, né, praticamente – a maior crise hidrológica dos últimos 90 anos, todo mundo estava sofrendo com isso, veio inflação atrás, a energia cara. Agora, isso tudo veio daquela política que vocês apoiaram da imprensa: ‘Fica em casa que a economia a gente vê depois’”, discursou.

Em reunião da Creg, técnicos receberam informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). De acordo com o órgão, os resultados apresentados evidenciam a assertividade. “Conforme registrado aos membros da Creg, os resultados apresentados evidenciam a assertividade das prospecções realizadas, bem como a importância das medidas excepcionais em curso, apesar dos custos associados, fruto dos esforços empreendidos especialmente com vistas ao aumento das disponibilidades energéticas e das relevantes flexibilizações hidráulicas em usinas hidrelétricas”, aponta o órgão.

Conforme o relatório, existe a possibilidade da necessidade de uso marginal da reserva operativa para atendimento de potência no cenário apresentado, em momentos do mês de outubro de 2021 e em menor escala em novembro e dezembro.

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