Guedes chama ministro da Ciência de burro e diz que todo o dinheiro foi parar em “foguetes”

Ministro da Economia afirmou ainda que as vezes se questiona sobre o que está fazendo no governo

Postado em: 27-10-2021 às 16h25
Por: Maria Paula Borges
Ministro da Economia afirmou ainda que as vezes se questiona sobre o que está fazendo no governo | Foto: Reprodução

Durante um encontro com integrantes da comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, que brigaram para ter de volta R$ 600 milhões de recursos retirados do ministério da área, o ministro da Economia, Paulo Guedes, chamou colegas do governo de incompetentes e se referiu a Marcos Pontes como burro. Além disso, Guedes afirmou, na última terça-feira (27/10), que não falta dinheiro para o país, mas falta gestão, dizendo que as vezes ele mesmo se questiona sobre o que está fazendo no governo.

Referente à incompetência da gestão do dinheiro público, Guedes afirmou que os ministros não executam os recursos que estão disponíveis e deixam valores parados sem utilização. Sobre a Ciência e Tecnologia, segundo a Folha de São Paulo, ele se referiu o tempo todo a Pontes, sem citar nomes, chamando-o de astronauta, dando a entender que o colega não entende nada de gestão.

No contexto, Guedes criticou a reclamação sobre o corte nos valores da pasta, dizendo que cerca de 50% da execução orçamentária não foi feita ainda. O ministro se queixou das prioridades do ministério, afirmando que sempre defendeu investimento em ciência, mas que o dinheiro foi parar em “foguetes”, se referindo ao gestor com a palavra “burro”.

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O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, foi usado como exemplo de boa utilização de recursos públicos. Ao falar de Tarcísio, Guedes afirmou que todo recurso que entra na pasta sai para investimentos na área.

Além disso, o ministro da Economia citou outros dois exemplos negativos em relação à gestão, sendo o primeiro deles, Marinho. Conforme versão contada por Guedes e relatada ao Painel, Bolsonaro solicitou no início do ano R$ 1 bilhão para a Infraestrutura e, após estudos, declarou que teria que tirar da pasta de Marinho. Guedes atrelou diretamente a frustração do colega a um problema cardíaco que teve em seguida. De acordo com os relatos, o ministro do Rio Grande do Norte pediu para tirar férias logo depois que perdeu os recursos e foi para a Bahia, onde teve que passar por uma cirurgia cardíaca.

O segundo exemplo negativo citado foi o de Ônyx Lorenzoni, ministro do Trabalho. Um parlamentar que estava na reunião mencionou que o colega se preocupou em gastar dinheiro fazendo “campinhos de futebol” no Sul do país e campeonatos. Imediatamente, Guedes concordou com a declaração, dizendo que havia distribuição de medalhas e troféus, nos supostos campeonatos, em vez de priorizar outras áreas.

Paulo Guedes mencionou ainda que tentaram derrubá-lo recentemente, durante a crise envolvendo o teto de gastos, e que, a todo momento, tentam culpá-lo pelos fracassos do governo federal, afirmando que as vezes ele mesmo se pergunta o que está fazendo lá. O ministro deixou claro também que não é político e que quem decide a finalidade do dinheiro é a Casa Civil, comandada por Ciro Nogueira (PP-PI).

O ministro da Economia disse que pode tentar negociar o dinheiro cortado do Ministério da Ciência, mas deixou evidente que não negociará com o “astronauta”, apenas com técnicos que entendam do assunto. Segundo o deputado Evair de Melo (PP), vice-líder do governo na Câmara, Guedes estava agoniado e que as falas foram no sentido de incentivar apoiadores do atual governo.

“O ministro Paulo Guedes precisa ter execução orçamentária. A palavra não é irritado, mas agoniado. O ministro está vendo que chegou novembro e nós precisamos dar agilidade às execuções orçamentárias. É atitude de quem é responsável. O Paulo Guedes vai ser cobrado no final de ano pelo todo. Ele está fazendo o papel dele de botar pilha e cobrar dos ministros as execuções financeiras”.

De acordo com Melo, existe orçamento e que, como “capitão do time”, Guedes tenta incentivar. “Existe orçamento, existe dinheiro, então não é que está irritado. Como capitão do time, ele está gritando para o time ‘vamos lá, vamos lá’. A irritação dele é mais um discurso de autoestima, vamos lá, vamos virar 24h, vamos empenhar, vamos definir prioridades. É o capitão motivando o time. O Paulo Guedes é isso mesmo: franco, objetivo, pragmático. Eu saí da reunião, como vice-líder do governo, motivado. Para quem nunca trabalhou, nunca foi de empresa privada, nunca teve que bater meta, mostrar resultado, acha que é irritação. Ele estava é pilhado para fazer as coisas”.

Em relação aos comentários sobre os colegas, Melo disse que ninguém ofendeu e que as falas são palavras do dia a dia de uma empresa. “Isso é como time de futebol. Não tem ninguém ofendendo ninguém, não. Quem te passou isso passou em um tom jocoso e de maldade. Isso é palavra no dia a dia de uma empresa. Nós viemos do setor privado. Se alguém te passou isso, passou para achar coisa contra o governo. Em hipótese alguma. Estamos falando do mérito de um assunto. O Ministério de Ciência e Tecnologia precisa, sim, melhorar a execução financeira e orçamentária. É palavra de motivação, não é nenhuma crítica pontual. Não sei quem te passou, mas o tom do Paulo Guedes não foi esse, não. Foi tom de motivação, de ‘vamos lá, tem que ter mais competência, tem que executar, o dinheiro é pouco, é escasso, então o pouco que tem é pra executar’. Em momento algum tem tom pejorativo”.

Sobre ter chamado Pontes de “burro”, o parlamentar afirmou que “isso é Paulo Guedes” e que foi apenas uma palavra de estímulo. Evair Melo falou ainda que o próprio Guedes se chamou de burro ao dizer que era um “burro de política pública, de burocracia interna do órgão, era um incompetente, e aí fui estudar e ler”.

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