Bolsonaro afirma que acertou prorrogar desoneração por dois anos e Guedes discorda; entenda

Falas de presidente foram ditas durante reunião no Palácio do Planalto na manhã desta quinta-feira (11)

Postado em: 11-11-2021 às 16h10
Por: Maria Paula Borges
Falas de presidente foram ditas durante reunião no Palácio do Planalto na manhã desta quinta-feira (11) | Foto: Palácio do Planalto

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que havia acertado com representantes no setor produtivo a prorrogação da desoneração da filha de pagamento por mais dois anos. A afirmação foi feita na manhã desta quinta-feira (11/11) e, segundo informações, a reunião com os empresários aconteceu no Palácio do Planalto.

Segundo o presidente, o emprego é alimentação e que os fatores andam lado a lado. “Quando se fala em alimentação, emprego é alimentação. Quem não tem emprego tem dificuldade de se alimentar, obviamente. Reunido com a Tereza Cristina [ministra da Agricultura], com o nosso prezado ministro Paulo Guedes [Economia] e mais de uma dezena de homens e mulheres representantes do setor produtivo do Brasil, resolvemos prorrogar por mais dois anos a questão que tem a ver com a desoneração da folha [de pagamento]. Então, isso tem a ver com manutenção de emprego. Estamos numa situação pós-pandemia”.

A declaração aconteceu durante o evento que marcou o lançamento do programa Brasil Fraterno – Comida no Prato no Palácio do Planalto, que foi realizado depois da reunião com os representantes dos setores produtivos.

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Além disso, para viabilizar a continuidade da desoneração da folha de pagamento, Bolsonaro pediu que os representantes colaborem com governadores, prefeitos, deputados e senadores para que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios seja aprovada no Senado. “Decisão judicial não se discute, se cumpre. Mas como cumprir um pagamento previsto da ordem de R$ 30 bilhões, de repente passa para R$ 90 bilhões dentro do teto? Ficaríamos sem recursos. Para todos os setores faltaria alguma coisa”, afirmou o presidente.

O texto da PEC dos Precatórios foi aprovado em segundo turno com 323 votos a favor, sendo que eram necessários no mínimo 308 votos, e então, Bolsonaro criticou os partidos que votaram contra. “Quando a gente vê partidos de esquerda e partido que se diz Novo, mas não tão novo assim, votando contra… Queremos espaço para atender quem está passando fome. Entendemos que em torno de 17 milhões de famílias têm dificuldades sérias”, disse.

Um estudo, publicado nesta quinta-feira pelo R7, da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e Tecnologias Digitais (Brasscom) mostra que a desoneração da folha de pagamento rendeu R$ 2,54 bilhões a mais do que custou aos cofres públicos em 2020, ano que o governo arrecadou R$ 12,95 bilhões com valores que vieram tanto diretamente quanto indiretamente das vagas de trabalho dos 17 setores beneficiados. A renúncia fiscal foi de R$ 10,41 bilhões.

De acordo com o estudo, a estratégia fiscal estimula a geração de emprego e renda, sem a desoneração, a estimativa é que até 6 milhões de empregos sejam fechados devido ao aumento de custos para a empresa. O cenário é agravado uma vez que o momento vivenciado é de economia fragilizada pelo desemprego e disparada da inflação.

Bolsonaro X Guedes

O presidente Jair Bolsonaro ignorou o posicionamento de Paulo Guedes, ministro da Economia, ao discutir a proposta de desoneração nesta quinta-feira. Guedes questionava a prorrogação da desoneração da folha de pagamento dos 17 setores que mais empregam no Brasil, enquanto Bolsonaro garante que vai prorrogar a medida por mais dois anos.

Ao R7, um dos integrantes presentes na reunião afirmou que Guedes participou do encontro e tentou negar o andamento da prorrogação caso a PEC dos Precatórios não avance no Senado, sendo “cortado” pelo presidente. Logo depois, o presidente disse que o empresário terá a desoneração e pediu tranquilidade.

Ainda segundo relatos ao portal, o clima entre o ministro da Economia e o presidente foi de discordância em maior parte da reunião.

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