“Eu sou o chefe da quadrilha”, afirma padre Robson em áudio gravado durante reunião

Postado em: 25-11-2021 às 17h34
Por: Maria Paula Borges
Áudios mostram reunião entre o ex-reitor do Santuário Basílica de Trindade e seus advogados | Foto: Reprodução

Padre Robson de Oliveira Pereira, ex-reitor do Santuário Basílica de Trindade (GO) e investigado por supostos desvios de dinheiro proveniente da doação de fiéis, admitiu em áudio que participava de esquema para burlar contratos e tinha conhecimento do risco de ser preso pela polícia. Além disso, o áudio apresenta o padre dizendo que é chefe da quadrilha. A gravação foi registrada pelo próprio padre Robson durante reunião com advogados e foi divulgada pelo Jornal da Record, na última quarta-feira (24/11).

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisa novo pedido de prisão preventiva contra o religioso e outras quatro pessoas por corrupção ativa. No dia 17 de novembro, seis meses após a Corte ter suspendido uma investigação criminal contra o padre, a solicitação foi apresentada pela Polícia Federal (PF).

Conforme mostrou a reportagem, durante a reunião, o padre e equipe jurídica envolvida discutem estratégias para camuflar a ilegalidade de contratos de compras feitas em nome de terceiros pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), presidida pelo religioso até ser afastado, após o Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrar a Operação Vendilhões.

Durante o encontro, padre Robson e sua equipe reconhecem que os contratos poderiam ser alvo de investigação. Além disso, falaram que poderia ter dificuldade para explicar a relação da associação com negócios e investimentos imobiliários. Em certo momento da gravação o padre Robson inclusive fala que “isso não é bom”, em seguida a advogada diz que “isso é a pior coisa que o senhor pode fazer”.

A conversa mostra ainda que o religioso já suspeitava de ser alvo de uma operação policial e que ele poderia ir parar na prisão. Segundo o padre Robson, a preocupação dele é em relação a apuração de fatos. “Quando for apurar fatos, olhando nossa contabilidade, olhando nossa contabilidade do Júnior, do Gleison, vão ver que eles deram outra destinação aos valores, que não bate com datas e nem com nenhum tipo de… não tem jeito, gente”, afirma.

De acordo com a reportagem, a reunião durou quase uma hora e, durante o encontro, uma das pessoas presentes disse ter lido o resultado da possível investigação.

Na época, o padre estava sendo investigado por suposto desvio de dinheiro de doação de fiéis, sendo as quantias entregues à Afipe. Segundo o MPGO, a entidade era responsável por administrar cerca de R$ 2 bilhões recebidos para a construção do novo Santuário Basílica de Trindade. Entretanto, o dinheiro foi utilizado para possíveis aplicações financeiras, além de compras de fazenda e imóveis de luxo. O inquérito policial e a ação criminal contra o padre permaneceram trancados pelo STJ.

O advogado Klaus Marques afirmou que desconhece os fatos e afirmou que a Afipe foi pautada pela legalidade, dizendo que agiu de acordo com o que o Estatuto da Advocacia estabelece. Já a Afipe informou que nenhuma pessoa mostrada na reportagem tem relação com a associação.

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