Pesquisa aponta aumento na ocupação no mercado de trabalho e queda no rendimento

Postado em: 28-12-2021 às 18h30
Por: Maria Paula Borges
Estudo divulgado pelo IBGE mostra dados do trimestre encerrado em outubro de 2021 | Foto: reprodução

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira (28/12), aponta que o nível de ocupação no mercado de trabalho cresceu no trimestre encerrado em outubro de 2021, mas teve queda na renda.

A população ocupada somou 94 milhões de pessoas, apresentando crescimento de 3,6% ou 3,3 milhões de pessoas, ante o trimestre anterior e frente ao mesmo período de 2020, a alta é 10,2% ou 8,7 milhões de pessoas. A queda no rendimento real habitual é 4,6% frente ao trimestre anterior, passando para R$ 2.449.

Em relação ao mesmo trimestre de 2020, o recuo ficou em 1,1%. A massa de rendimento real habitual de R$ 225 bilhões não teve variações estatisticamente significativas em ambas as comparações, conforme dados da PNAD Contínua.

Segundo o IBGE, a estimativa do nível de ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, é de 54,6%, significando elevação de 1,8 ponto percentual (p.p) em relação ao trimestre de maio a julho de 2021, que atingiu 52,8% e de 4,6 p.p na comparação com o mesmo período do ano anterior, 50%.

Dos dez agrupamentos de atividades, seis registraram crescimento na ocupação. A indústria geral subiu 4,6%, ou mais 535 mil pessoas; na construção civil foram 6,5%, ou mais 456 mil pessoas; no comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas 6,4%, ou mais 1,1 milhão de pessoas.

No mercado de alojamento e alimentação, o índice avançou 11%, ou mais 500 mil pessoas; em Outros Serviços foram 7,1%, ou mais 304 mil pessoas; e em Serviços Domésticos 7,8%, ou mais 401 mil pessoas.

Além disso, nove grupamentos registraram crescimento na ocupação em relação ao mesmo trimestre móvel de 2020. Em agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi registrada alta de 7,8%, ou mais 645 mil pessoas; o da indústria geral de 8,4%, ou mais 950 pessoas; da construção 19,2%, ou mais 1,2 milhão de pessoas.

Em relação ao comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas foi registrada alta de 10,9%, ou mais 1,8 milhão de pessoas; do transporte, armazenagem e correio 11,7% ou mais 509 mil pessoas; do alojamento e alimentação 26,3%, ou mais 1 milhão de pessoas; no de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas foram 8,4%, ou mais 861 mil pessoas; outros serviços foram 11,4%, ou mais 471 mil pessoas; e Serviços Domésticos de 21,1%, ou mais 1 milhão de pessoas.

Taxa de informalidade

Ainda que tenha apresentado aumento de 4,1% no número de empregados com carteira de trabalho no setor privado, se comparado ao trimestre anterior, a taxa de informalidade ficou em 40,7% da população ocupada, ou seja, 38,2 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, foi registrado 40,2% e, no mesmo trimestre de 2020, 38,4%.

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, a pesquisa mostra que se começa a perceber uma espécie de generalização do processo de recuperação dos contingentes populacionais ocupados, mas o trabalhador informal tem menos salvaguardas para se manter fora do mercado. Entretanto, essas pessoas foram as que retornaram mais rápido ao mercado após os impactos da pandemia.

Retorno e rendimento

De acordo com Adriana, no primeiro momento ocorre uma recomposição da população ocupada, mas do ponto de vista da massa salarial e do rendimento gerado pela expansão, ainda não são observados efeitos positivos. “O impacto foi muito grande, muitas pessoas saíram do mercado, ou se afastaram temporariamente e agora retornam. Muitas pessoas oferecendo trabalho, boa parte encontrando só que com rendimentos menores”, comentou.

Segundo ela, o trabalho com carteira de trabalho tem apresentado queda de rendimento e, consequentemente, o trabalho informal tende a um rendimento menor. “O conjunto dos trabalhadores, independente da sua forma de inserção no mercado de trabalho, está com rendimento menor. Seja porque o próprio processo de absorção dos trabalhadores, empregados contratados a rendimentos menores, seja em função dos trabalhadores por conta própria auferirem uma renda menor”, afirma.

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