Boletim InfoGripe: Fiocruz registra alta de 135% em casos de síndrome respiratória grave

A tendência é de intensificação deste panorama em quase todo o país

Postado em: 15-01-2022 às 14h05
Por: Alexandre Paes
A tendência é de intensificação deste panorama em quase todo o país. | Foto: Reprodução/Internet

O Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), voltou a ser publicado neste sábado (15/1), mais de um mês após a edição anterior. O relatorio traz a informação de que houve um aumento de 135% no número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), entre as três semanas finais de novembro e as últimas três semanas.

O serviço havia ficado suspenso após um ataque hacker que atingiu as plataformas do Ministério da Saúde, o que afetou o Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), de onde são extraídos os dados. De acordo com a Fiocruz, o número de casos passou de 5,6 mil no primeiro período para 13 mil no segundo.

Neste momento, a tendência é de intensificação deste panorama em quase todo o país. A longo prazo, praticamente todos os estados têm probabilidade de mais de 95% na acentuação dos casos.

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O estudo destaca que apenas o estado de Roraima apresenta tendência de queda, situação diferente das outras 26 unidades da federação. O Rio de Janeiro está entre as duas situações: apresenta cenário de estabilidade, mas tem indicativos de aumento no curto prazo, o que não ocorre no estado do Norte.

Dados apurados apontam avanço significativo da SRAG em todas as faixas etárias a partir dos 10 anos. A análise leva em consideração os cenários a longo prazo, relativo às seis semanas anteriores à divulgação, e a curto prazo, referente às últimas três semanas. Nos dois recortes, o quadro de evolução de casos se manteve.

Pesquisador do Programa de Computação Científica (PROCC/Fiocruz) e coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes entende que o cenário, de avanço da variante Ômicron, inspira muitos cuidados. Na terça-feira (11/1), o Ministério da Saúde admitiu que a linhagem já se tornou prevalente no país.

“É muito preocupante. Quando olhamos os resultados dos exames laboratoriais, observamos duas frentes importantes. De um lado, a volta dos casos de Influenza A gerando número importante de internações por SRAG. E, do outro, no final de dezembro, a Covid-19, com o mesmo efeito”, afirma Gomes.

O epidemiologista destaca ainda a importância do acesso à informação, não apenas para o processo de tomada de decisão das autoridades no fim do ano, como medidas restritivas. Para ele, essas informações são fundamentais também para a população entender as medidas e poder aderi-las de maneira consciente.

“De posse da informação do cenário epidemiológico preciso que estava ocorrendo, semana após semana ao longo do mês de dezembro, a população poderia ter tomado decisões distintas a respeito de que tipo de eventos poderia organizar ou participar. Essas decisões têm impacto fundamental na curva de casos”, conclui Gomes.

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