Acadêmicos e lideranças negras repudiam texto sobre “racismo contra brancos” publicado na Folha

A opinião do antropólogo Risério foi criticar por ignorar o contexto sócio-histórico do Brasil e dos Estados Unidos sobre o racismo.

Postado em: 17-01-2022 às 12h09
Por: Ícaro Gonçalves
A opinião do antropólogo Risério foi criticar por ignorar o contexto socio-histórico do Brasil e dos Estados Unidos sobre o racismo | Foto: Reprodução

Acadêmicos, jornalistas e intelectuais negros repudiaram nas redes sociais o texto do jornal Folha de São Paulo intitulado “Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo”. O artigo foi publicado na última sexta-feira (15/1) pelo antropólogo baiano Antonio Risério, no qual o escritor defende a existência de “racismo de negros contra brancos”.

Em seu texto, Risério – que é um escritor branco – argumenta que casos de negros supostamente praticando racismo contra brancos seriam comuns, principalmente no contexto norte-americano. Acusa ainda a esquerda política, o movimento negro e a imprensa de reproduzirem um “projeto supremacista” cujas vítimas seriam os não-negros.

“O dogma reza que, como pretos são oprimidos, não dispõem de poder econômico ou político para institucionalizar sua hostilidade antibranca. É uma tolice. Ninguém precisa ter poder para ser racista, e pretos já contam, sim, com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo”, defende Risério.

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A opinião de Risério, ao ignorar o contexto socio-histórico do Brasil e dos Estados Unidos, foi duramente repudiada por personalidades e lideranças do movimento negro.

O filósofo, advogado tributarista e professor universitário Silvio Almeida, autor do livro “Racismo Estrutural (Feminismos Plurais)”, criticou o espaço destinado no jornal ao artigo:

A tese de “supremacismo negro” também foi refutada por Victoria Damasceno, repórter da própria Folha de S.Paulo:

O advogado e professor de direito Thiago Amparo foi uma das personalidades ligadas ao debate público sobre diversidade a contestar a tese construída pelo antropólogo:

Ana Flávia Magalhães Pinto, professora de história e ativista dos movimentos negro e de mulheres negra, também criticou a veiculação do artigo:

Com informações do portal Brasil de Fato.

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