Complete o tanque: como a Guerra na Ucrânia pode aumentar o preço dos combustíveis no Brasil

O Brasil se tornou atrativo por sua capacidade de se tornar um possível fornecedor substituto de alguns suprimentos produzidos na Rússia e na Ucrânia

Postado em: 24-02-2022 às 10h17
Por: Alexandre Paes
O Brasil se tornou atrativo por sua capacidade de se tornar um possível fornecedor substituto de alguns suprimentos produzidos na Rússia e na Ucrânia. | Foto: Reprodução

O que antes era somente uma possibilidade, na madrugada desta quinta-feira (24/2) tornou-se realidade com o começo da invasão da Rússia à Ucrânia. Esses ataques já estão sendo sentidos nos mercados mundiais, que tendem a piorar. O primeiro efeito foi registrado no preço do barril de petróleo, que ultrapassou a barreira dos US$ 100 pela primeira vez desde 2014.

Esse conflito deve gerar problemas sérios pelo mundo, com agravamento da inflação, que já vinha preocupando em boa parte do planeta por conta da pandemia de Covid-19.

Além do salto no preço do petróleo, as bolsas asiáticas começaram a registrar queda expressiva assim que confirmado os primeiros ataques a cidades ucranianas. No Japão, minutos após a confirmação, o índice Nikkei caía 2,1%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng desabava 3,1%.

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Na Rússia, o índice Moex, o maior da bolsa local, caiu 45% às 5h55, horário de Brasília (11h55, hora em Moscou). No mesmo horário, o RTSI, que registra o desempenho das 50 maiores empresas do mercado russo, tinha desempenho ainda pior: menos 49,9%.

Por que o petróleo e gás já estão mais caros?

A Rússia é um dos grandes produtores de petróleo, e um conflito militar afeta o mercado do produto. Além disso, sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia também podem pressionar o preço da energia, direta e indiretamente.

Se a guerra provocar a interrupção do comércio euro-russo de combustíveis, os europeus terão que procurar energia em outra parte, em um mercado mundial que ficará ainda mais apertado e caro, a não ser que a Arábia Saudita traia a Rússia, sua aliada informal no cartel dos grandes produtores, e aumente sua produção do produto, escreveu o colunista da Folha de S.Paulo Vinicius Torres Freire.

Cerca de 66% do gás e de 29% do petróleo que a Alemanha compra fora da União Europeia vêm da Rússia. Cerca de 44% do gás importado pela União Europeia vem da Rússia, assim como 25% do petróleo.

O movimento, segundo analistas, é consequência não só do aumento da taxa Selic pelo Banco Central, mas também da entrada de capital estrangeiro no país em tempos de alto risco. Apesar da expectativa de economistas uma migração de ativos para mercados mais seguros, o Brasil se tornou atrativo por sua capacidade de se tornar um possível fornecedor substituto para alguns dos bens agrícolas produzidos na Rússia e na Ucrânia.

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