Transtorno Bipolar: uma doença que atinge 2,4% da população e ainda é muito generalizada

Postado em: 27-03-2022 às 19h13
Por: Alexandre Paes
A doença é crônica, fortemente influenciada por fatores genéticos, e caracterizada pela recorrência de episódios de mania e depressão | Foto: Reprodução

Com o objetivo de homenagear o aniversário do pintor Vincent Van Gogh, o dia 30 de março é conhecido como o Dia Mundial do Transtorno Bipolar. A condição representa um desafio significativo para portadores, profissionais de saúde, familiares e comunidades. Com isso, a data chama a atenção para a consciência mundial para transtornos bipolares e eliminar o estigma social.

De acordo com o Luciano Barbosa de Queiroz, mestre e professor de psicologia, o transtorno bipolar é um transtorno bem complexo e que precisa de atenção. “O transtorno bipolar está entre o transtorno do espectro da esquizofrenia e os transtornos depressivos exatamente pelo seu lugar intermediário”, explica.

A doença é crônica, fortemente influenciada por fatores genéticos, e caracterizada pela recorrência de episódios de mania e depressão, com prevalência estimada na população em torno de 1 a 2,4%. As manifestações clínicas, segundo o professor, geralmente aparecem no final da adolescência e início da fase adulta, e geram grandes prejuízos ao funcionamento pessoal e profissional do sujeito, inclusive com altas taxas de suicídio.

O especialista explica, resumidamente, três tipificações de transtornos bipolares, sendo eles: “O tipo I, que se caracteriza pela ocorrência de pelo menos um episódio maníaco, que seria um humor anormal, muito elevado, expansivo ou irritável, ao longo da vida, podendo esse episódio ser antecedido ou seguido por episódios hipomaníacos, considerados mais brandos, e por episódios depressivos maiores”, explica.

“O transtorno bipolar tipo II caracteriza-se por um ou mais episódios depressivos maiores e por pelo menos um episódio hipomaníaco”, relata o professor. “Finalmente, o transtorno ciclotímico é caracterizado por vários períodos de sintomas hipomaníacos e sintomas depressivos durante, pelo menos, dois anos, sem que tais sintomas configurem episódio hipomaníaco ou episódio depressivo maior”, completa Luciano.

Por conta da desinformação, o ele explica que existe muito preconceito, o que atrapalha o tratamento. “As pessoas propagam o termo ‘bipolar’ ou ‘bipolaridade’ como sendo sinônimo de instabilidade afetiva apenas e sem conhecerem os critérios diagnósticos do transtorno. Outro motivo para o preconceito é a dificuldade que as pessoas sentem de lidar com o paciente que têm esse transtorno”, relatou.

Mesmo com as diversas dificuldades, o psicólogo orienta algumas dicas. “Hoje em dia, já existem medicamentos eficazes para o tratamento do transtorno bipolar e transtornos relacionados. Segundo, faça psicoterapia. Ela complementa o tratamento medicamentoso e contribui para o aumento da motivação, o manejo das crises e a criação de projetos pessoais. Terceiro, continue no tratamento e confie nos profissionais”, finaliza.

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