Envolvido em escândalo sexual, Saul Klein poderá pagar indenização próxima de R$ 100 milhões

Postado em: 04-04-2022 às 09h52
Por: Ícaro Gonçalves
Segundo as vítimas, o suposto esquema de aliciamento começava com a promessa de um trabalho como modelo | Fotos: Reprodução

Após 14 mulheres denunciarem o empresário Saul Klein em 2020 por estupro, favorecimento de exploração sexual, tráfico de pessoas e outros crimes, duas organizações não-governamentais protocolaram uma ação civil pública na Justiça paulista pedindo R$ 100 milhões de indenização por “dano moral coletivo causado às mulheres brasileiras”. Além de Saul, o pedido se direciona também a seu pai já falecido, Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, e a Via Varejo S/A, grupo controlador da empresa.

Os pedidos foram feitos em agosto de 2021, pelas ONG’s Centro Santos Dias de Direitos Humanos e SOF – Sempreviva Organização Feminista. Essa é a primeira vez em que uma ação civil pública no Brasil tem relação com uma denúncia de violência sexual, explica o presidente do Centro Santos Dias, Luciano Caparroz Pereira dos Santos.

“Normalmente, é o Ministério Público que acompanha os casos e tem a prerrogativa de pedir a indenização por dano moral coletivo. Como isso não aconteceu, decidimos agir para contemplar a sociedade como um todo, com um objetivo específico: que os recursos da indenização sejam usados em políticas de proteção às mulheres”, explica Santos em entrevista ao portal Universa.

Para as ONG’s, pai e filho “sempre se valeram do poder econômico, instalações, funcionários e mercadorias da empresa para recrutar, intimidar e manter as jovens sob o seu jugo, bem como da forte presença simbólica da empresa no imaginário popular, contando para esse fim com a conivência da empresa-ré”.

De acordo com as organizações, os R$ 100 milhões solicitados como indenização poderão ser usados em campanhas e políticas públicas que contribuam para a proteção de mulheres. Mas o destino final da verba só será decidido após acordo, como acontece nesses casos de dano moral coletivo.

Investigação

Atualmente, Saul é investigado pela polícia após 14 mulheres o denunciarem por estupro, cárcere privado, transmissão de doença venérea, entre outros crimes, em um esquema de exploração sexual que teria durado cerca de 15 anos.

Saul Klein é investigado por estupro, cárcere privado, transmissão de doença venérea, e outros possíveis crimes | Foto: Reprodução

As vítimas fizeram as primeiras denúncias em setembro de 2020 à promotora de Justiça Gabriela Manssur, de São Paulo. Elas passaram por acolhimento psicológico e orientação jurídica, e as denúncias foram levadas à Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri.

Segundo as vítimas, o suposto esquema de aliciamento começava com a promessa de um trabalho como modelo, e logo se mostrava como um jogo de manipulação psicológica e financeira que incluía violências sexuais. Segundo as denúncias, o “império” de Klein teria apoio de diferentes aliciadoras, e até de médicos, que auxiliavam as vítimas feridas após as situações de violência sexual.

Defesa

Ouvido pela Universa, o advogado de Saul, André Boiani e Azevedo, nega todas as denúncias contra o empresário e afirma que as relações sempre foram consensuais com as mulheres com as quais se aproximou. Seus representantes citados na ação também foram procurados pela reportagem. Não houve retorno.

A Via Varejo, grupo que comanda as Casas Bahia, afirmou em nota “que a família Klein nunca exerceu qualquer papel de controle na Via, companhia constituída em 2011” e que não comenta “casos ou ações judiciais que envolvam terceiros”.

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