Indígenas protestam em defesa de Bruno Pereira e Dom Phillips

Postado em: 13-06-2022 às 14h43
Por: Victória Vieira
200 indígenas se reuniram pelas ruas de Atalaia do Norte, até chegarem a um palco localizado na praça da cidade para protestarem | Foto: Reprodução/Pedro Ladeira/Folhapress

Nesta segunda-feira (13/6), os indígenas da região do Vale do Javari foram às ruas pedir justiça pelo desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips, que estão desaparecidos há uma semana. O protesto também focou contra a atual gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL) e sobre as invasões à terra indígena.

A Polícia Federal saiu pela manhã para iniciar outro dia de buscas. 200 indígenas se reuniram pelas ruas de Atalaia do Norte e chegaram a um palco localizado na praça da cidade para protestarem. A Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), organizou a manifestação. Juntos, eles entraram na unidade da Funai (Fundação Nacional do Índio) como forma de protesto.

O protesto foi definido como uma homenagem “ao grande guerreiro” e “defensor da terra indígena Vale do Javari”. Era possível ver faixas escritas com declarações para o indigenista: “Bruno lutou pelo Vale do Javari. Agora o Vale do Javari luta por Bruno, Dom e Maxciel”.

A cacique Sandra Mayouruna protestou contra o governo e enfatizou: “Querem acabar com nossos pirarucus e tracajás, e Bruno nos defendia”.

Ao que parece, a causa do desaparecimento está interligada com invasões ilegais no território indígena. O indigenista era servidor da Funai e atuava em defesa dos povos indígenas. Ele estava investigando e denunciando essas ações criminosas.

O presidente Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre o protesto, porém, quando foi questionado do crime, ele disse que o desparecimento dos indivíduos era resultado de uma “aventura”.

No protesto, o cacique Binan Wasá criticou as atitudes do presidente e declarou que as terras indígenas vêm sendo ameaçadas e invadidas por muito tempo: “Acabaram com a região ao redor, e querem acabar com nosso território. Bolsonaro acredita em Deus, em Bíblia. Mas Deus não pensa em mal. Um Deus bom construiu os recursos naturais. Se ele crê, deveria estar cuidando.”

Atualização sobre o caso

Nesta segunda- feira (13/6) a família de Dom, jornalista correspondente do veículo de comunicação britânico The Guardian, havia afirmado que os corpos foram encontrados hoje de manhã em meio ao local de buscas na Amazônia, entretanto, em nota, a Polícia Federal negou a informação.

“O Comitê de crise, coordenado pela Polícia Federal/AM, informa que não procedem as informações que estão sendo divulgadas a respeito de terem sido encontrados os corpos do Sr. Bruno Pereira e do Sr. Dom Phillips. Tão logo haja o encontro, a família e os veículos de comunicação serão imediatamente informados”, ressaltou.

O indigenista e o jornalista desapareceram no dia 5 de junho quando faziam o trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael até o município de Atalaia do Norte. Até agora foram encontrados um cartão de saúde, uma calça, um chinelo e um par de botas pertencentes a Bruno e um par de botas e uma mochila com roupas de Dom Phillips. O caso segue sendo apurado.

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