sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Leitura rápida

Livros com poucas páginas para ler no feriado

Livros rápidos com histórias marcantes

Maria Gabriela Pimentapor em
Livros com poucas páginas para ler no feriado | Foto: iStock
Livros com poucas páginas para ler no feriado | Foto: iStock

Você sente falta de livros de ficção leves e rápidos? As obrigações do dia-a-dia podem nos privar desses momentos de lazer. Por isso, nada melhor que aproveitar o feriado para descansar e esquecer do trabalho, do chefe, dos clientes e das matérias escolares.

Nesta lista, trago livros com poucas páginas para ler no feriado. Assim, você consegue começar e terminar uma boa leitura, evitando aquela sensação de “leitura pendente, mas sem tempo para ler”.

1 – O Estrangeiro, Albert Camus

Livros com poucas páginas para ler no feriado

Mais conhecida e importante obra de ficção de Albert Camus, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Com a emoção de um thriller perfeitamente executado e a força de uma parábola, O Estrangeiro é a obra de destaque deum dos escritores mais engajados e respeitados do século.

O estrangeiro narra a história de um homem comum que se depara com o absurdo da condição humana depois que comete um crime quase inconscientemente. Meursault, que vivia sua liberdade de ir e vir sem ter consciência dela, subitamente perde-a envolvido pelas circunstâncias e acaba descobrindo uma liberdade maior e mais assustadora na própria capacidade de se autodeterminar. Uma reflexão sobre liberdade e condição humana que deixou marcas profundas no pensamento ocidental. Uma das mais belas narrativas deste século.

2 – A Metamorfose, Franz Kafka

Livros com poucas páginas para ler no feriado

A metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. Sem a menor cerimônia, o texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante – o famoso Gregor Samsa – transformado em inseto monstruoso. A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana – tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

3 – A morte de Ivan Ilitch, Lev Tolstói

Livros com poucas páginas para ler no feriado

Nesta novela – considerada uma das mais perfeitas já escritas, Tolstói narra a história de Ivan Ilitch, um juiz de instrução que, depois de alcançar uma vida confortável, descobre que tem uma grave doença. A partir daí, este passa a refletir sobre o sentido de sua existência, numa experiência-limite de rara força poética, que só a grande literatura consegue traduzir.

4 – A hora da estrela, Clarice Lispector

Livros com poucas páginas para ler no feriado

Pouco antes de morrer, em 1977, Clarice Lispector decide se afastar da inflexão intimista que caracteriza sua escrita para desafiar a realidade. O resultado desse salto na extroversão é A hora da estrela, o livro mais surpreendente que escreveu. Se desde Perto do coração selvagem, seu romance de estreia, Clarice estava de corpo inteiro, todo o tempo, no centro de seus relatos, agora a cena é ocupada por personagens que em nada se parecem com ela.
A nordestina Macabéa, a protagonista de A hora da estrela, é uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera.
Clarice cria até um falso autor para seu livro, o narrador Rodrigo S.M., mas nem assim consegue se esconder. O desejo de desaparecimento, que a morte real logo depois consolidaria, se frustra.
Entre a realidade e o delírio, buscando social enquanto sua alma a engolfava, Clarice escreveu um livro singular. A hora da estrela é um romance sobre o desamparo a que, apesar do consolo da linguagem, todos estamos entregues.

5 – Festa no covil, Juan Pablo Villalobos

Livros com poucas páginas para ler no feriado

Em Festa no covil, a vida íntima de um poderoso chefe do narcotráfico – Yolcault, ou “El Rey” – é narrada pelo filho. Garoto de idade indefinida, curioso e inteligente, o pequeno herói, que vive trancado num “palácio” sem saber a verdade sobre o pai, reconta sem filtros morais o que presencia ou conhece pela boca dos empregados ou pela tevê. Seu passatempo é investigar secretamente os mistérios que entrevê, colecionar chapéus e palavras difíceis e pesquisar sobre samurais, reis da França e animais em extinção, sempre com o auxílio de seu preceptor – um escritor fracassado egresso da esquerda.

Esse pequeno príncipe, tão mimado quanto privado de infância, tem um desejo obsessivo: completar seu minizoológico particular com o raríssimo hipopótamo anão da Libéria. Reveses nos negócios paternos e a conveniência de o grupo abandonar o México por um tempo acabam tornando realidade o safári para capturar o tal hipopótamo em risco de extinção. A viagem à África com seus percalços e o regresso ao “palácio” constituem a grande iniciação do narrador-protagonista, a quem só na última linha é dado chamar o pai de “pai”.

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