100 anos sem Kafka: descubra 8 livros imperdíveis do escritor

O estilo kafkiano continua surpreendendo leitores ao redor do mundo.

Postado em: 03-06-2024 às 15h34
Por: Eduarda Leão
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Franz Kafka. | Foto: Divulgação

Franz Kafka foi um brilhante escritor tcheco em que as obras literárias fazem uma verdadeira viagem aos traços expressionistas e ao modernismo. O autor é considerado um dos maiores pensadores do século XX, nasceu há 140 anos e partiu no dia 03 de junho de 1924, em decorrência de uma tuberculose.

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O autor deixou um inesquecível legado à literatura com as obras que conseguem explorar a complexidade humana e os problemas cotidianos. Ele está mais vivo que nunca, a impressionante escrita do autor está sendo cada vez lida e reinterpretada. O termo “kafkiano” foi além da literatura e começou a ser aplicado em cenários opressores, absurdos e/ou sinistro.

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Confira a seguir, 10 obras de Franz Kafka que impressionam até mesmo os leitores mais exigentes.

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O processo

A história de Josef K. atravessa os anos sem perder nada do seu vigor. Ao contrário, a banalização da violência irracional no século XX acrescentou a ela o fascínio dos romances realistas.

Na sua luta para descobrir por que o acusam, por quem é acusado e que lei ampara a acusação, K. defronta permanentemente com a impossibilidade de escolher um caminho que lhe pareça sensato ou lógico, pois o processo de que é vítima segue leis próprias: as leis do arbítrio.

Cartas a Milena

Nestas cartas apaixonadas e íntimas enviadas a Milena Jesenká, uma jovem escritora que Kafka conheceu e muito admirou, o escritor tcheco revelou um relato comovente de sua solidão e de seu desejo de encontrar uma conexão humana verdadeira, ao mesmo tempo em que mostrou uma natureza complexa e vulnerável.

Trata-se de uma obra-prima da literatura epistolar e uma janela para a mente e o coração de um dos maiores escritores do século XX.

A metamorfose

A metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. Sem a menor cerimônia, o texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante – o famoso Gregor Samsa – transformado em inseto monstruoso.

A partir daí, a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana – tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal.

Carta ao pai

Entre os dias 10 e 19 de novembro de 1919, Franz Kafka, insatisfeito com a fria recepção paterna diante do anúncio de seu noivado com Julie Wohryzek, escreveu ao pai, o comerciante judeu Hermann Kafka, uma longa carta – mais de cem páginas manuscritas. Kafka tinha então 36 anos, uma vida pessoal acanhada – nunca se casara ou constituíra família –, uma carreira mediana de funcionário burocrático e uma ambição literária ainda longe de estar realizada.

Na carta, que nunca foi enviada ao destinatário original, Kafka põe a nu toda a sua mágoa em relação ao pai autoritário, que ele chama, alternadamente, de “tirano”, de “regente”, de “rei” e de “Deus”. Em uma experiência virtuosística de autoanálise, além de uma belíssima peça literária, ele mostra como, a seu ver, o jugo paterno minou-lhe a autoestima, condenando-o a uma personalidade fraca e assustada. Além de disponibilizar ao leitor um dos textos mais emocionantes da literatura ocidental, estava nova edição se destaca por priorizar a dimensão biográfica da Carta.

A leitura da carta e do material que a envolve joga luz sobre o drama humano universal do autor e ajuda a compreender sua imensa angústia, capaz de gerar obras-primas como O processo, A metamorfose, América ou o desaparecido, entre outras.

Como escreveu o filho ao pai: “Minha atividade de escritor tratava de ti, nela eu apenas me queixava daquilo que não podia me queixar junto ao teu peito”. Além da carta fartamente anotada, a edição conta com um prefácio que explica fatos e circunstâncias relativas ao texto e à redação da carta, um glossário de expressões e nomes de pessoas citadas, uma cronologia biográfica de Kafka e a reprodução fac-símile de algumas páginas do documento.

Um artista da fome / A construção

As narrativas reunidas neste livro – quatro contos e uma novela – estão entre as mais fortes e originais escritas por Kafka no fim da vida. Carregadas de experiência, humor e mistério, elas chegam até nós com o brilho da meditação poética que encontrou a forma artística plena.

Assim é que clássicos como O artista da fome e Josefina, a cantora, bem como Primeira dor e Uma mulher pequena, há mais de meio século participam do repertório universal do conto contemporâneo com o crédito devido às obras-primas. Complementa o volume a novela A construção, densa e sombria, considerada por muitos o verdadeiro testamento literário.

Na colônia penal

Um aparelho peculiar executa uma pena lenta e dolorosa em condenados que não sabem sua infração nem a sentença. Essa é a justiça idealizada – e adorada – por um comandante em uma longínqua colônia penal. Ao visitar o lugar, um viajante estrangeiro fica impressionado com o método.

Enquanto assiste à máquina em atuação, se pergunta se poderia intervir na execução da lei naquela terra.Na colônia penal, publicado por Franz Kafka em 1919, chocou seus primeiros leitores e continua nos impactando até hoje. Qual é a verdadeira distância entre a grande máquina imaginada pelo autor e a nossa realidade?

Esta edição traz um projeto gráfico inédito, com molduras a cada página e mais 18 ilustrações feitas pelo artista Lourenço Mutarelli, além de apresentação de Ivan Mizanzuk e textos inéditos dos professores Lênio Streck, Márcio Seligmann-Silva e Celeste Ribeiro de Sousa.

O castelo

O agrimensor K. chega a uma aldeia coberta de neve e procura abrigo num albergue perto da ponte. O ambiente sombrio e a recepção ambígua dão o tom do que será o romance. No dia seguinte o herói vê, no pico da colina gelada, o castelo: como um aviso sinistro, bandos de gralhas circulam em torno da torre.

O personagem, K., nunca conseguirá chegar até o alto, nem os donos do poder permitirão que o faça. Em vez disso, o suposto agrimensor – mesmo a esse respeito não há certeza – busca reivindicar seus direitos a um verdadeiro cortejo de burocratas maliciosos, que o atiram de um lado para outro com argumentos que desenham o labirinto intransponível em que se entrincheira a dominação. O castelo – Fausto do século XX consolidado como um dos pontos mais altos da ficção universal – mostra a extensão completa do termo kafkiano.

Diários: 1909-1923

“Tudo que não é literatura me entedia e eu detesto”, anota Franz Kafka em certo dia de 1913. A essa altura, o advogado judeu era funcionário de um instituto de seguros trabalhistas e começava a receber uma modesta atenção como o autor da novela O veredicto.

Mas a glória nas letras seria póstuma e por obra de seu amigo Max Brod. E tudo para Kafka era metabolizado em literatura. A prova disso são estes Diários, um dos monumentos literários do século XX traduzido integralmente pela primeira vez no Brasil por Sergio Tellaroli. São páginas assombrosas.

Constituem aquilo que o escritor argentino Ricardo Piglia qualificou como o “laboratório do escritor”: o espaço em que o autor de A metamorfose experimentava e afiava a sua escrita em meio a comentários sobre sua época, suas leituras, suas decepções amorosas, rascunhos de cartas, relatos de sonhos, começos encantadores de obras literárias jamais concluídas, bem como diversas histórias acabadas. Datados de 1909 a 1923, os Diários abrem uma porta não apenas para o homem de carne e osso que foi Franz Kafka.

Apresentam também o percurso através da mente brilhante e algo torturada de um artista sem rivais. Este volume, que segue as edições mais completas dos registros pessoais do autor, disponibiliza pela primeira vez uma reconstrução abrangente das entradas dos Diários e fornece novo conteúdo substancial, incluindo detalhes, nomes, obras literárias e passagens de natureza sexual que foram omitidas nas primeiras edições.

Das caminhadas por Praga às idas ao teatro, da relação tempestuosa com sua herança religiosa à sua visão da Primeira Guerra ― passando pelas mulheres, a família, a doença e a vida literária. Cada página destes Diários oferece uma jornada pela luta pessoal de um homem em busca de si mesmo.

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