Os benefícios da música para os bebês

Postado em: 06-03-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Profissionais e pais reconhecem a importância da musicalização ainda na primeira fase da vida

Luisa Guimarães

Se existem pessoas que não gostam de música, é um verdadeiro desafio encontrá-las. É difícil encontrar alguém que esteja imune às emoções causadas por alguma canção ou não remeta um momento especial da vida a alguma música. A música nos acompanha em todas as fases de nossa vida, o tempo todo. Há pouco tempo, uma pesquisa divulgada pela revista Current Biology apresentava o fenômeno das “pessoas que não gostam de música”. Realmente, estas são dignas de estudo. 

Além do gosto pessoal e do lado emocional, ainda existem os efeitos comprovados no aprendizado e na recuperação dos seres humanos por meio da musicoterapia. O processo realizado por um musicoterapeuta pretende facilitar e desenvolver diversos objetivos terapêuticos relevantes a fim de atender às necessidades físicas, mentais, emocionais, sociais e cognitivas do paciente. O som, a melodia, o ritmo e a harmonia podem promover mudanças significativas nas pessoas, influenciando capacidades sensoriais, motoras, mentais e afetivas.

Entre os beneficiados pela música também estão os bebês. O contato acontece ainda dentro da barriga da mãe, a partir das 20ª semana, quando o bebê já é capaz de ouvir sons mais graves e externos, como os do ambiente em volta e a voz da mãe falando e cantando. De acordo com alguns especialistas, ela é um elemento fundamental na primeira etapa do sistema educativo, quando o indivíduo ainda está em idade pré-escolar. A música ajuda a ganhar independência nas suas atividades habituais da criança, auxiliando no desenvolvimento intelectual, auditivo, sensorial, da fala e motor.

Cynara Porto é mãe, pediatra e responsável pelo projeto Baby Home de atendimento pediátrico domiciliar. Ela admite que a música possui, sim, grande importância para o bebê ainda na fase de gestação. “A partir do terceiro trimestre da gestação, o feto já consegue ter reações aos sons graves. A música, nessa fase, começa fortalecer o vínculo entre mãe e bebê. O bebê pode responder ao som da voz cantada da mãe, com chutinhos, e ficar mais calmo com uma música clássica”, explica. O Baby Home oferece o acompanhamento médico com serviço domiciliar, já que o recém-nascido e a mãe podem enfrentar dificuldades para sair de casa e ir até um consultório.

Para Cynara, a música também traz benefícios já nos primeiros anos de vida de uma criança. “Nos três primeiros anos de vida, o desenvolvimento cerebral é muito intenso. Quando introduzimos a música na vida do bebê, essas conexões cerebrais se intensificam, o que ajuda no desenvolvimento da fala, da parte motora, da socialização, fortalecendo ainda mais o vínculo mãe e filho. Tudo isso tem de ser feito de maneira lúdica para que o bebê ou a criança consiga sentir prazer durante o momento da musicalização”. Cynara usa o exemplo, ainda, das UTIs neonatais que colocam música clássica para o bebê prematuro. “Isso diminui o estresse físico, beneficia o seu desenvolvimento e ganho de peso”, conta. 

Quanto à alfabetização, a música também desempenha um papel fundamental. Sílabas e rimas ajudam a desenvolver melhor a fala, o raciocínio e a compreensão. Mas as gestantes não precisam aumentar muito o volume, já que o líquido amniótico é um bom condutor de som. Outros idiomas ainda podem ser aprendidos através das músicas – e a técnica já é utilizada por professores há tempos.

Escola para bebês

Para quem se interessa pela musicalização infantil existe um local especialmente voltado para isso. A Escola Música e Bebê, localizada no Setor Sul, existe desde 1999 – idealizada pelas musicistas Cíntia Vieira Soares e Nilsea Maioli. Ambas são bacharéis em piano: a primeira é mestre em educação; a segunda, em música. A preocupação da escola é criar uma ambientação rica em estímulos sonoros para os bebês para sensibilizá-los à música e, assim, despertar o interesse e o prazer por ela. 

Cientes dos benefícios da música para as crianças, Cíntia e Nilsea recebem bebês a partir de 2 meses de idade, além de musicoterapia para gestantes, bebês e crianças. Vez ou outra, a escola promove os Concertos Música e Bebê, evidenciando os resultados do ensino musical dos alunos. No ano passado, realizaram a edição especial de 15 anos – com encontro de jovens músicos de até 15 anos – que foram alunos da escola quando bebês, apresentando repertório erudito e popular. Eles dividiram os palcos com os atuais alunos da escola e dos bebês a partir de 2 meses, que ensaiavam suas primeiras notas no universo da música. 

Após a primeira fase, que é a da musicalização para bebês de até 11 meses, chega a hora de se aprender a tocar algum instrumento – escolhido pela própria criança. Piano, violino, violão, flauta, bateria, canto e coro cênico estão na lista. Para conhecer mais sobre o trabalho da escola, acesse o site www.musicaebebe.com.br ou faça uma visita no local, que fica na Rua 117, no Setor Sul. 

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