Muito mais que um calçado

Postado em: 13-03-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Ano de 2016 marca os 60 anos da chegada das sapatilhas no Brasil

O ano de 2016 marca os 60 anos da chegada das sapatilhas no Brasil como acessório de moda – antes, elas eram utilizadas apenas nos teatros, em espetáculos de dança e em hospitais. Afinal, foi em 1956 que a atriz Brigitte Bardot encomendou da madame Rose Repetto uma sapatilha para usar no filme E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim. O modelo foi batizado de Cendrillon (em português: Cinderela) e virou um clássico da grife conhecido mundialmente. Um ano depois, Audrey Hepburn as usou no filme Cinderela em Paris eternizando o par de sapatos.

Em comemoração à data, a tradicional marca francesa Maison Repetto se uniu ao Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, instituição de ensino, referência em economia criativa, e armou uma exposição em comemoração aos 60 anos da icônica sapatilha.

O resultado foi a Repetto Loves Art – 60ème Anniversaire de Cendrillon, que reúne, por meio de uma mostra inédita, 22 obras assinadas por personalidades das artes, da moda, do cinema e da música, convidadas a reinventar os sapatos da marca. 

As sapatilhas brancas serviram de ‘“telas’’ e foram transformadas em verdadeiras obras de arte por nomes de peso como Rodrigo Ohtake, Chiara Gadaletta, Bruno Bogosian, Cecilia Prado, Isabela Frugiuele da Triya, Francesca Alzatti, Juliana Ferreira e Maya Pope da Isolda, Stephanie Garcia da Olympiah, Marcelo Braga, Patricia Viera, professora honoris causa do Centro Universitário Belas Artes, além de Vic Meirelles, Mariana Galasso e Cako Martin, formados pela instituição. 

Entre os artistas internacionais que também homenagearam a marca estão Brigitte Bardot, Proenza Schouler, Jean Paul Gaultier, Vanessa Paradis, Carla Bruni, Carolyn Carson, Catherine Denueve, Ai Tominaga e Thierry Malandain.

Com curadoria da professora mestra Dhora Cos­ta, docente do Centro Universitário Belas Artes, a mostra apresenta a linha cronológica da Repetto, destacando os principais marcos de sua história e seu know how através de vídeos, protótipos, imagens de acervo desde o primeiro modelo desenvolvido por Rose Repetto até a coleção atual, que será apresenta­da juntamente no evento.

Ao final dessa manifestação artística, as obras serão leiloadas e toda a renda será revertida em prol dos bolsistas do Estúdio de Ballet Cisne Negro.

A Maison já lançou modelos em parceria com grandes estilistas, como Issey Miyake e Karl Lagerfeld. Criada em 1947 por Rose Repetto como uma loja que vendia sapatilhas de balé, estrategicamente localizada próxima ao Opéra de Paris. Hoje, a Repetto vende também modelos para o dia a dia, reconhecidos mundialmente pelo seu luxo e sofisticação.

A chave do sucesso para as sapatilhas da Repetto são o seu savoir faire único de fabricação que utiliza a técnica de cousu-retourné. Este método consiste em costurar as sapatilhas de fora para dentro garantindo que nenhuma costura entre em contato com os pés. O acabamento é 100% manual e um par de sapatos passa pelas mãos de oito a dez artesãos, requerendo em média de 45 minutos a uma hora e meia de trabalho para ser produzido.

A L’école de Formation Repetto (Escola de Formação de Artesãos da Repetto), localizada em Saint Médard d’Éxcideuil, capacita em torno de 35 aprendizes por ano. Estes passam seis meses em treinamento e workshops para então tornarem-se capazes de integrar a equipe de artesãos da marca. A Repetto produz cerca de 450 mil pares de calçados e 100 mil pares de sapatilhas de ponta anualmente.

 

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