Apoio afetivo de doulas empodera gestantes para parto sem medo

As doulas, mulheres que dão suporte físico e emocional às gestantes durante e após o parto, estão cada vez mais presentes na vida das grávidas e das crianças que chegam ao mundo

Postado em: 30-08-2016 às 11h00
Por: Redação
As doulas, mulheres que dão suporte físico e emocional às gestantes durante e após o parto, estão cada vez mais presentes na vida das grávidas e das crianças que chegam ao mundo

Jéssica Chiareli 

O nascimento dos filhos, quando desejado, pode ser um dos melhores momentos na vida de uma mulher. No entanto, ele costuma ser rodeado de receios e, por vezes, violência – uma em cada quatro mulheres no Brasil sofre violência durante a gestação ou parto.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Perseu Abramo em parceria com o Sesc aponta que os maiores medos que as mulheres sentem durante a gravidez são sentir muita dor ou morrer ao dar à luz.

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É por isso que a companhia e auxílio de uma pessoa experiente e que presta apoio psicológico e afetivo pode fazer toda a diferença. As chamadas doulas, mulheres que dão suporte físico e emocional às gestantes durante e após o parto, estão cada vez mais presentes na vida das grávidas e das crianças que chegam ao mundo. O trabalho é intenso, começa nas primeiras semanas da gravidez e pode se estender até ao período de amamentação.

Lívia Sebba, 27, é psicóloga e doula há mais de quatro anos, período em que ajudou a trazer ao mundo pelo menos 93 bebês. Ela conta que se interessou pelo assunto no final da faculdade, quando teve contato com a psicologia da gravidez, área de apoio a gestante. Lívia se qualificou para atuar como doula e até desenvolveu um mestrado na área.

“Posso falar com propriedade, pois foi o tema da minha dissertação. O parto humanizado, com a presença de uma doula, aumenta a qualidade de vida da mãe e do bebê no pós-parto, aumenta o percentual de partos naturais, diminui o uso de analgesia e cria um vínculo maior entre a mãe e o bebê”, conta.

Lívia começa o acompanhamento das gestantes por volta da 30ª semana de gestação. Inicialmente trata de temas chaves sobre gravidez, apresenta conceitos, tira dúvidas e indica vídeos e livros que podem ajudar as futuras mamães. Além disso, ela foca também nos medos apresentados pelas mulheres, de maneira que eles sejam superados. “Falar sobre os medos do parto ajuda muito. Sempre trabalhamos muito isso. Percebo que as gestantes ficam mais seguras e se sentem amparadas”, diz.

Empoderamento

O médico obstetra Humberto Carlos Borges, Diretor técnico da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, em Goiânia, explica que o apoio afetivo da doula empodera a paciente, de maneira que ela sinta que pode e que consegue dar à luz. Além disso, o obstetra também destaque que a presença de um acompanhante de confiança, que presta assistência afetiva, diminui problemas como apreensão, medo e facilita o trabalho de parto e até a amamentação. “Durante o parto as gestantes recebem uma injeção de ocitocina, que facilita a amamentação, criando um vínculo maior entre mãe e bebê”.

Ana Carolina Neves,34, mãe do Isaque, de dois anos, optou pelo parto natural e teve a gestação acompanhada por Lívia desde a 28ª semana. Ela chegou à psicóloga pelo acaso, por meio de uma página na internet, mas já no primeiro contato a parceria deu certo. “Não conhecida nenhuma doula, nenhum trabalho. Com apenas cinco minutos de conversa, a Lívia já me inspirou confiança, apresentou vários benefícios, foi um anjo”, conta a mãe do Isaque.

Receios 

Como a maioria das mães, Ana Carolina tinha receio de não conseguir suportar a dor do parto. Para ela, a presença da doula foi importante para superar o medo e se sentir mais confiante e segura. “Não sabia identificar o que era ou não contração. Ninguém conseguia me tranquilizar, ela me apoiou e trabalhou muito isso comigo. É muito importante ter uma mulher do seu lado que te entende e diz ‘estou aqui do seu lado, aconteça o que acontecer’”, conta. Além da doula, a mãe também contou com o apoio de uma equipe, composta por um enfermeiro obstetra.

Isaque nasceu em casa, saudável, e em um parto natural, como planejado. Além do apoio emocional da doula, uma equipe clínica, formada por enfermeiros obstetras, o ajudou a vir ao mundo.  No entanto, os desafios não pararam por aí. As dificuldades de amamentar fizeram com que Ana Carolina pensasse em interromper a amamentação quando o bebê tinha apenas dois meses de idade. Novamente, o apoio da doula fez diferença. Lívia visitava a mãe para auxiliá-la com a amamentação. No fim das contas, Isaque foi amamentado até os dois anos de idade.

Para o próximo ano, outro bebê está em vista e Ana faz questão do apoio psicológico e afetivo. “Prefiro abrir mão de questões financeiras, desde que tenha uma doula comigo”, conclui.
 
Ficou curiosa para saber como é um parto natural e residencial? Assista o nascimento do Isaque: 

Fotos: acervo pessoal 

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