Bento XVI admite ter participado de reunião sobre padre acusado de pedofilia quando era arcebispo

Postado em: 24-01-2022 às 10h07
Por: Ícaro Gonçalves
Bento XVI é acusado de má conduta por ter se omitido em relação às acusações de abuso sexual infantil entre os anos de 1977 e 1982 | Foto: Reprodução/Sven Hoppe

O papa emérito Bento XVI voltou atrás em sua última declaração e admitiu ter participado de uma reunião na década de 1980, na qual se discutiu o destino de um padre alemão acusado de abuso infantil. Na época, Bento ainda era arcebispo de Munique-Freising.

Bento XVI é acusado de má conduta por ter se omitido em relação às acusações de abuso sexual infantil entre os anos de 1977 e 1982. Segundo a investigação, encomendada pela Arquidiocese de Munique e Freising ao escritório de advocacia alemão Westpfahl Spilker Wastl (WSW), pelo menos 497 crianças e adolescentes foram vítimas entre 1945 e 2019, e Bento pode ter se omitido em pelo menos quatro delas.

Segundo seu secretário particular, Georg Gänswein, em entrevista à Agência Católica de Notícias (KNA), o papa emérito inicialmente negou sua presença em tal reunião devido a “um erro” na edição de sua declaração sobre uma das reuniões citadas pela reportagem.

“O erro não foi cometido de má-fé”, mas sim “resultado de um erro no processamento editorial de sua declaração”. “Ele sente muito por isso e pede desculpas”, disse Gänswein.

Investigação

Após o início das investigações, que repercutiram na impressa internacional, Bento XVI disse sentir “vergonha” pelos casos de abuso sexual na Igreja Católica alemã.

“O Papa Emérito, como já reiterou várias vezes durante seu pontificado, expressa o embaraço e a vergonha causados ​​pelos abusos sexuais de menores cometidos por clérigos e expressa sua proximidade pessoal e suas orações a todas as vítimas, algumas das quais ele conheceu pessoalmente durante suas viagens apostólicas”, assegurou o prelado.

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