Rússia já tem 70% do poderio bélico planejado para invadir fronteira da Ucrânia

Autoridades dos EUA dizem que Moscou já teria 110 mil soldados na região. Europa intensifica esforços diplomáticos

Postado em: 07-02-2022 às 10h35
Por: Redação
Autoridades dos EUA dizem que Moscou já teria 110 mil soldados na região. Europa intensifica esforços diplomáticos | Foto: Reprodução

A Rússia já acumula 70% do poderio bélico que o Kremlin planejou destacar para a fronteira da Ucrânia até a metade deste mês, o que poder dar ao presidente Vladimir Putin a opção de lançar uma invasão em grande escala ao país vizinho.

Moscou enviou até agora 110 mil soldados para a região, mas ainda não está claro se Putin planeja, de fato, ordenar uma ofensiva.

As informações foram divulgadas à imprensa por autoridades americanas que estiveram em reuniões sobre a crise na Ucrânia no Congresso dos EUA e com aliados europeus.

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Segundo as autoridades, que discutiram as avaliações internas com jornalistas na condição de não serem identificadas, há vários indicadores que sugerem uma possível invasão nas próximas semanas, apesar das dimensões da suposta ofensiva ainda não estarem evidentes. Contudo, ainda seria possível buscar uma solução diplomática para a crise.

Aumento do contingente na fronteira

Um desses indicadores seria o adiamento de um exercício anual das forças estratégicas nucleares russas que normalmente ocorre entre meados de fevereiro e março, o que coincide com a época prevista pelos Estados Unidos como a mais provável para o início da ofensiva.

Segundo os americanos, as Forças Armadas russas teriam estacionado na fronteira 83 batalhões táticos, cada um destes com entre 750 e mil soldados. Há duas semanas, o número dessas unidades na região era de 60.

Outros 14 batalhões táticos estariam a caminho da fronteira, vindos de partes diferentes da Rússia. Segundo as avaliações das autoridades americanas, Moscou almeja estacionar entre 110 e 130 batalhões táticos na região.

Somadas as unidades de apoio, o Kremlin poderá acumular em torno de 150 mil soldados na fronteira, o que poderia ocorrer dentro de algumas semanas.

Na semana passada, os EUA disseram ter evidências de um plano de Moscou para forjar imagens de vídeo falsas como pretexto para uma possível invasão.

O governo do Reino Unido também disse possuir informações de alta confiabilidade de que a Rússia planeja fabricar um motivo para atacar a Ucrânia. 

Até 50 mil mortes

De acordo com reportagens publicadas neste sábado (05/02) pelos jornais americanos The New York Times e The Washington Post, autoridades americanas avaliam que uma invasão russa em grande escala poderia subjugar as forças ucranianas com relativa rapidez e resultar em até 50 mil mortes, embora não tenha sido esclarecido como se chegou a esse número.

Neste cenário, Moscou teria dificuldades para manter a ocupação do país e ainda iria ter de lidar com uma potencial insurgência.

O governo do presidente americano Joe Biden passou a divulgar informações de inteligência para se contrapor à campanha de desinformação propagada por Moscou e dificultar os planos de Putin de criar um pretexto para a invasão. Ainda assim, a falta de evidências que comprovem essas afirmações gerou muitas críticas em Washington.

Biden reiterou que os EUA não enviarão tropas para o território ucraniano, mas ordenou o envio de um contingente de 1,7 mil soldados à Polônia e outros trezentos para a Alemanha. Outro grupo de mil soldados americanos foi deslocado de bases em solo alemão para a Romênia.

Europeus intensificam esforços diplomáticos

No Leste Europeu, aumentam as preocupações com o acúmulo de tropas russas na fronteira de Belarus com a Ucrânia, uma vez que o país também é vizinho à Polônia, Lituânia e Letônia, o que aumenta a possibilidade de Washington enviar soldados para o flanco leste da Otan.

Nos próximos dias, líderes europeus devem intensificar os esforços para uma solução diplomática para a crise. O presidente da França, Emmanuel Macron, viajará a Kiev nesta segunda-feira e, no dia seguinte, estará em Kiev. O chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, estará na capital ucraniana no dia 14 de fevereiro, antes de se deslocar para a Rússia.

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