Após transplante de células-tronco, americana pode ter se tornado a primeira mulher curada do HIV

Segundo informações, doador tem resistência natural ao vírus que causa a Aids

Postado em: 16-02-2022 às 16h06
Por: Maria Paula Borges
Segundo informações, doador tem resistência natural ao vírus que causa a Aids | Foto: reprodução

Após passar por um transplante de células-tronco, procedentes de um doador com resistência natural ao vírus que causa a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), uma americana se tornou a terceira pessoa e primeira mulher possivelmente curada do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). O anúncio foi feito nesta terça-feira (15/2), durante uma conferência que aconteceu em Denver, nos Estados Unidos, pela equipe de especialistas que tratam a paciente, em Nova York.

A mulher ficou conhecida como “Paciente de Nova York”. Primeiramente, a americana foi diagnosticada com HIV e depois com leucemia mieloide aguda, tipo de câncer relacionado à diminuição da produção de células sanguíneas normais da medula óssea. Para tratar a leucemia, ela recebeu o transplante de células-tronco de um cordão umbilical, completando com células adultas doadas por um parente.

Anteriormente, existiam dois casos de pacientes curados do HIV, mas em homens que receberam células-tronco adultas, usadas com frequência em transplantes de medula. Entretanto, em todos os três casos, as células transplantadas vieram de indivíduos que possuem mutação genética que os torna resistente ao vírus.

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O caso faz parte de um amplo estudo apoiado pelo governo dos Estados Unidos, liderado pelas pesquisadoras Yvonne Bryson, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), e Deborah Persaud, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore. O objetivo é acompanhar 25 pessoas com HIV submetidas a transplantes com células-tronco retiradas do cordão umbilical para tratamento de câncer e outras condições graves.

Incialmente, os pacientes passam por quimioterapia e depois recebem o transplante de células-tronco de indivíduos portadores da mutação que faz com que eles não tenham os receptores usados pelo HIV para infectar células. Os cientistas acreditam que os pacientes desenvolvam um sistema imunológico resistente ao vírus.

Além disso, os cientistas afirmam que o uso do sangue de cordão umbilical não exige o mesmo nível de compatibilidade entre doador e receptor necessário no caso de células adultas, podendo tornar esse tipo de tratamento acessível para mais pessoas. Eles ressaltam ainda que a cura do vírus por meio de transplantes de células-tronco se limita a casos em que o paciente sofre de câncer ou outra doença grave que justifique um procedimento tão complexo e potencialmente fatal.

À emissora NBC, Persaud afirmou que, por enquanto, a terapia com células-tronco “continua sendo uma estratégia viável para apenas um punhado dos milhões que vivem com HIV”.

Entretanto, Lewin, da Sociedade Internacional de Aids, disse que o novo caso “confirma que uma cura para o HIV é possível e fortalece o uso de terapia genética como estratégia viável”.

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