Animais vendidos no mercado de Wuhan causaram pandemia de Covid, apontam estudos

O mercado de frutos do mar de Huanan em Wuhan, na China, foi provavelmente o epicentro da pandemia de coronavírus

Postado em: 27-07-2022 às 09h12
Por: Alexandre Paes
O mercado de frutos do mar de Huanan em Wuhan, na China, foi provavelmente o epicentro da pandemia de coronavírus

Em junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que os cientistas continuassem pesquisando todas as possíveis origens da pandemia de Covid-19. Dois estudos recém-publicados adotaram abordagens totalmente diferentes chegaram à mesma conclusão: o mercado de frutos do mar de Huanan em Wuhan, na China, foi provavelmente o epicentro da pandemia de coronavírus. Os estudos foram divulgados on-line como pré-prints em fevereiro, mas agora passaram por revisão por pares e foram publicados nesta terça-feira (26) na revista Science.

Cientistas de todo o mundo usaram ferramentas de mapeamento e relatórios de mídia social para fazer uma análise espacial e ambiental. Eles sugerem que, embora as “circunstâncias exatas permaneçam obscuras”, o vírus provavelmente estava presente em animais vivos vendidos no mercado no final de 2019. Os animais foram mantidos próximos e poderiam facilmente ter trocado germes entre si. O estudo, entretanto, não determina quais as espécies poderiam estar doentes para ocasionar uma pandemia.

Os pesquisadores indicaram que os primeiros casos de Covid-19 estavam centrados no mercado entre os trabalhadores que vendiam esses animais vivos ou pessoas que faziam compras lá. Eles acreditam que havia dois vírus separados circulando nos animais que se espalharam para as pessoas.

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“Todos os oito casos de Covid-19 detectados antes de 20 de dezembro eram do lado oeste do mercado, onde também eram vendidas espécies de mamíferos”, aponta o estudo.

A proximidade de cinco barracas que vendiam animais vivos ou recém-abatidos foi preditiva de casos humanos. “O agrupamento é muito, muito específico”, disse o coautor do estudo e professor do Departamento de Imunologia e Microbiologia da Scripps Research, Kristian Andersen.

O padrão “extraordinário” que surgiu do mapeamento desses casos foi muito claro, afirmou outro coautor, Michael Worobey, chefe do departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade do Arizona.

Os pesquisadores mapearam os primeiros casos que não tinham conexão com o mercado, acrescentou Worobey, e essas pessoas viviam ou trabalhavam nas proximidades do local.

“Os ingredientes brutos de um vírus zoonótico com potencial pandêmico ainda estão à espreita na natureza”, pontuou Wertheim. Ele acredita que o mundo precisa fazer um trabalho muito melhor na vigilância e monitoramento de animais e outras ameaças potenciais à saúde humana.

Andersen disse que, embora não possamos evitar surtos, a colaboração entre os cientistas do mundo pode ser a chave para a diferença entre uma doença de pequeno impacto e uma que mata milhões. “A grande questão que precisamos nos perguntar é [na próxima vez que isso acontecer, porque vai acontecer] como vamos detectar esse surto precocemente e prevenir para que ele não se torne uma pandemia?”.

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