Talco pode causar câncer? Entenda porque a Johnson & Johnson decidiu suspender o produto para bebês

A farmacêutica já enfrentou milhares de ações judiciais com a acusação de que o produto teria contribuído para o desenvolvimento de câncer em consumidores.

Postado em: 12-08-2022 às 15h57
Por: Ícaro Gonçalves
A farmacêutica já enfrentou milhares de ações judiciais com a acusação de que o produto teria contribuído para o desenvolvimento de câncer em consumidores | Foto: Reprodução

A farmacêutica norte-americana Johnson & Johnson informou esta semana que irá suspender a venda de talco para bebês em todo o mundo. A decisão ocorre após a empresa multinacional ter recebido milhares de reclamações sobre a segurança do produto, incluindo queixas sobre desenvolvimento de câncer em consumidores.

O talco já foi suspenso há dois anos nos Estados Unidos (EUA) e no Canadá. Ao todo, já são cerca de 38 mil ações judiciais relacionadas ao produto em diferentes países. A farmacêutica informou em nota que irá substituir a fórmula do talco por amido de milho.

Acusações

As queixas vinculam a utilização do talco, em longo prazo, ao desenvolvimento de câncer, embora a farmacêutica continue a negar que o produto seja a causa.

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Em 2018, em ações judiciais contra a Johnson & Johnson, advogados expuseram memorados antigos, alguns da décadas de 1970, nos quais executivos da empresa já expressavam preocupação com um potencialmente risco de contaminação do produto por amianto.

Desde então, a J&J enfrentou milhares de ações judiciais com a acusação de que o produto teria contribuído para o desenvolvimento de câncer nos ovários em consumidoras. A empresa nega.

“A nossa posição sobre a segurança do pó cosmético permanece inalterada. Apoiamos fortemente as décadas de análise científica por médicos especialistas em todo o mundo, confirmando que o pó de talco para bebês, da Johnson, é seguro, não contém asbesto e não causa câncer”, disse a farmacêutica. 

No início deste ano, a J&J concordou em pagar milhões de dólares a vários estados, juntamente com outros grandes distribuidores de medicamentos, assumindo a responsabilidade na crise dos opiáceos.

Nas últimas duas décadas, a morte de mais de 500 mil norte-americanos foi associada a overdoses de opiáceos, incluindo analgésicos prescritos e drogas ilícitas, como heroína e fentanil produzido ilegalmente.

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