“Ver ou não ver, eis a questão”, afirmou Papa Francisco sobre a destruição ambiental

Postado em: 31-03-2021 às 09h35
Por: Augusto Sobrinho
O pontífice foi à contra mão dos conservadores da Igreja Católica, que desacreditam que o aquecimento global é causado pelo homem | Foto: Remo Casilli/Reuters

O papa Francisco adaptou uma citação famosa do
Hamlet“, de Shakespeare, em um apelo para as questões
ambientais e migratórias. “Ver ou não ver, eis a questão”, afirmou o pontífice
ao pedir que as pessoas não continuem cegas à destruição do meio
ambiente e à migração em massa que ela pode causar.

A citação foi divulgada, nessa terça-feira
(30/03), no prefácio de um documento do Escritório de Desenvolvimento do
Vaticano para o Cuidado Pastoral de Pessoas Deslocadas por Eventos Climáticos.
Francisco ainda pediu às pessoas que trabalhem juntas para proteger
“a criação, nossa casa comum” e não se “recolham” no
individualismo.

“Sugiro que adaptemos o famoso ‘ser ou não
ser’, de Hamlet, e afirmemos: ‘ver ou não ver, eis a questão!’ Isso começa com
a visão de cada um, sim, a minha e as suas”, escreveu Francisco. Além
disso, o papa relacionou a migração em massa com a degradação do meio ambiente
em todo o mundo.

“Quando pessoas são expulsas porque seu meio
ambiente local se torna inabitável, pode parecer um processo da natureza, algo
inevitável. Mas muitas vezes o clima em deterioração é resultado de escolhas
ruins e atividade destrutiva, do egoísmo e da negligência, que colocam a
humanidade em choque com a criação, nossa casa comum”, completou.

Conservadores da Igreja Católica, muitos
alinhados a forças políticas, são céticos sobre a mudança climática. Eles
contestam a opinião científica majoritária de que o aquecimento global é
causado principalmente pelo homem. Francisco também destacou que a Covid-19 só
será superada com um pensamento coletivo.

“Não sairemos de crises como a do clima e da
Covid-19 nos recolhendo no individualismo, mas somente ‘estando muitos juntos’,
pelo encontro, o diálogo e a cooperação”, acrescentou no prefácio do
estudo de 30 páginas.

(Agência Brasil, com informações de Philip
Pullella – Repórter da Reuters)

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