UKRAINA, o conflito na “fronteira” vs expansão militar

Confira o artigo de opinião, desta sexta-feira (04/03), por Jibran Salem

Postado em: 04-03-2022 às 10h04
Por: Redação
Confira o artigo de opinião, desta sexta-feira (04/03), por Jibran Salem

“Ukraina” em eslavo significa fronteira. Exatamente essa seria a fronteira máxima de aceitação da expansão da OTAN pela Rússia. No jogo das superpotências não existe mocinho ou bandido. O que existe são interesses geoestratégicos, políticos e econômicos.

Durante a guerra fria a divisão de poder mundial era bem simétrica tendo como símbolo o muro de Berlim. De um lado a Otan que defendia os países capitalistas e do outro o Pacto de Varsóvia, organização militar dos países socialistas. Mas, com a queda dos governos do leste europeu, o fim da URSS, a dissolução do Pacto de Varsóvia e a queda do muro de Berlim, a Otan iniciou sua expansão para o Leste. Vários países que antes eram socialistas e que estavam sob a influência soviética passaram a ingressar na OTAN e na União Europeia.

Por um lado, a situação é econômica à medida que vários países do leste europeu ingressaram na UE. No caso da Ucrânia é bem ilustrativo; quando ocorreram as manifestações de 2013 na praça Euromaidan, devido a recusa do governo de Vitor Yanukhovich de assinar o acordo de entrada na União Europeia. Em relação à parte geoestratégica a situação se agrava à medida que a Ucrânia tinha se declarado um estado neutro e firmado um acordo militar com a Rússia. A sua tentativa de ingresso na OTAN soa como uma traição. Aliás, a Otan e a Rússia tinham um acordo de 1991, onde a OTAN se comprometia a não avançar para leste. No entanto, o que se viu foi uma entrada gradativa de vários países na OTAN.

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Não é difícil de entender que a Rússia não quer perder sua área de influência. Por outro lado, os EUA querem expandir cada vez mais suas fronteiras militares e econômicas.

Além disso, existem outras variáveis como a população russa que vive no leste da Ucrânia, que constantemente é ameaçada pelo próprio governo. A posição estratégica da Ucrânia com saída para o mar Negro, além de ser um celeiro agrícola muito importante fornecendo parte do trigo consumido no mundo, produzido no famoso solo Tchernozion.

Uma olhada rápida no mapa podemos entender que os EUA e seus aliados foram se posicionando próximos a fronteira com a Rússia e instalando bases da OTAN (Polônia, países bálticos, Romênia e Turquia). Essa é a preocupação da Rússia que não aceita o ingresso da Georgia, Ucrânia, Suécia e Finlândia. Provavelmente se outros estados declararem intenção de ingressar na Otan a resposta russa será a mesma. Já pensaram se o México e o Canada entrassem para uma organização militar pró-Rússia ou Pró-China? E o inimigo posicionasse tropas na fronteira dos EUA. Será que os EUA iriam permitir?

Nesse momento, se não ocorrer uma “Finlandização”, isto é uma neutralidade da Ucrânia, poderemos caminhar para uma guerra civil catastrófica e uma possível Balcanização da Ucrânia.

Infelizmente teremos narrativas dos dois lados. As duas superpotências muitas vezes se utilizam de desculpas para suas invasões, foi assim quando os EUA atacaram a Líbia e invadiram o Iraque ou quando a URSS invadiu o Afeganistão.

As desculpas podem ser diversas, mas o objetivo principal é o Poder, mesmo que isso custe o mais precioso: a vida.

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