Visão 360 graus

Confira o artigo de opinião, desta quinta-feira (17/03), por Melina Lobo Dantas

Postado em: 17-03-2022 às 10h21
Por: Redação
Confira o artigo de opinião, desta quinta-feira (17/03), por Melina Lobo Dantas

Todos temos pontos cegos. Nossos olhos são pregados na testa e garantem um olhar para frente, com amplitude máxima de 180 graus para aqueles que conseguem desenvolver uma lateralidade maior. No entanto, somos vistos por todos os lados. Aqueles que convivem conosco, em casa ou no trabalho, conseguem desenvolver uma visão acerca das nossas atitudes da qual muitas vezes não nos damos conta.

Nesse contexto, estão nossos hábitos, reclamações e repetições, dos quais não nos conscientizamos, mas que saltam aos olhos daqueles que sabem observar. Como aquele cachorro que corre atrás do próprio rabo e não se dá conta de que é uma tarefa inglória, sem fim. Observamos o cachorro e nos apiedamos do seu sofrimento ou rimos do circuito em que ele mesmo se inseriu sem se dar conta.

Assim somos nós nos processos repetitivos: os que engordam e nem sabem o motivo, já que não comem nada; o alcoolista que só bebe o primeiro copo; a fofoca que se esparrama na boca daqueles que pensam que estão realizando um serviço social. E nas empresas, sejam elas familiares ou não, os processos não são diferentes.

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Em razão dos pontos cegos, o olhar do outro sobre nós pode se tornar um verdadeiro presente, é isso o que chamam de feedback nas empresas. Isso pode acontecer não somente no local de trabalho, mas também nas relações pessoais.

Escutar uma percepção negativa não é fácil. Quantas vezes estamos tão apegados à nossa visão acerca de nós mesmos que não aceitamos que nossos pontos cegos sejam revelados por qualquer um. Se esse que nos revela é uma pessoa íntima, já lhe apontamos seus defeitos sem nos preocuparmos em escutar primeiro aquilo que nos presenteia com sua visão sobre nós. É como receber um diamante: embrulhado e entregue com carinho é uma joia; atirado ao nosso rosto, é uma simples pedra.

E o elogio? Há uma velha máxima: “elogie em público e repreenda em particular”, mas muitas pessoas não conseguem receber. Estão tão acostumadas a repreender, a enquadrar as pessoas no certo e errado que recusam o elogio ou o acham perigoso por medo de ter que fazer mais e melhor da próxima vez.

O grande líder é aquele que conduz o liderado além daquilo que ele se julga capaz de realizar, que sabe revelar os pontos cegos com habilidade, utilizando sua visão de 360 graus a favor de seu liderado. O reconhecimento daquilo que se fez de bom é baliza de novas atitudes a serem incorporadas no dia a dia. Quantos talentos encontram-se adormecidos por falta de reconhecimento, de coragem de se fazer um elogio?

E ainda há um outro ponto. Se somos vistos por todos os lados, há também o lado de dentro, do avesso de nós mesmos, que muitas vezes sequer conhecemos, mas esse é assunto para outro momento.

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