Transtorno Bipolar: uma doença que não pode ser generalizada

Postado em: 19-04-2022 às 09h13
Por: Redação
Confira o artigo de opinião, desta terça-feira (19/04), por Luciano Barbosa de Queiroz

O dia 30 de março é conhecido como o Dia Mundial do Transtorno Bipolar, com o objetivo de homenagear o aniversário do pintor Vincent Van Gogh, que foi diagnosticado como possível portador do transtorno bipolar. A condição representa um desafio significativo para portadores, profissionais de saúde, familiares e comunidades. Com isso, a data chama a atenção para a consciência mundial para transtornos bipolares e para eliminar o estigma social.

O transtorno bipolar é um transtorno bem complexo e que precisa de atenção. O transtorno bipolar está entre o transtorno do espectro da esquizofrenia e os transtornos depressivos exatamente pelo seu lugar intermediário.

A doença é crônica, fortemente influenciada por fatores genéticos, e caracterizada pela recorrência de episódios de mania/hipomania e depressão, com prevalência estimada na população em torno de 1 a 2,4%. As manifestações clínicas, segundo o professor, geralmente aparecem no final da adolescência e início da fase adulta, e geram grandes prejuízos ao funcionamento pessoal e profissional do sujeito, inclusive com altas taxas de suicídio.

Resumidamente, três tipificações de transtornos bipolares ganham mais destaque, sendo eles: O tipo I, que se caracteriza pela ocorrência de pelo menos um episódio maníaco, que seria um humor anormal, muito elevado, expansivo ou irritável, ao longo da vida, podendo esse episódio ser antecedido ou seguido por episódios hipomaníacos, considerados mais brandos, e por episódios depressivos maiores.

O transtorno bipolar tipo II caracteriza-se por um ou mais episódios depressivos maiores e por pelo menos um episódio hipomaníaco”, relata o professor da Estácio. “Finalmente, o transtorno ciclotímico é caracterizado por vários períodos de sintomas hipomaníacos e sintomas depressivos durante, pelo menos, dois anos, sem que tais sintomas configurem episódio hipomaníaco ou episódio depressivo maior.

Por conta da desinformação, existe muito preconceito, o que atrapalha o tratamento. As pessoas propagam o termo ‘bipolar’ ou ‘bipolaridade’ como sendo sinônimo de instabilidade afetiva apenas e sem conhecerem os critérios diagnósticos do transtorno. Outro motivo para o preconceito é a dificuldade que as pessoas sentem de lidar com o paciente que têm esse transtorno. De fato, o transtorno bipolar caracteriza-se por sintomas que, muitas vezes, são graves e geram exaustão, raiva, tristeza e desespero nas pessoas próximas, mas procurar um profissional qualificado é sempre a melhor alternativa.

A melhor forma de combater a desinformação é divulgando conteúdos de cunho sério. Como é o caso das mídias tradicionais e as redes sociais, quem têm o potencial de combater a desinformação e, consequentemente, o preconceito desde que se baseiem em informação de qualidade e fundamentada na pesquisa, na ciência. Além disso, é muito importante que a sociedade inteira se engaje na discussão sobre o transtorno bipolar. Por lidarem com grandes públicos, colégios, faculdades e empresas, por exemplo, podem ser contextos que levantem essa discussão, combatam os preconceitos e propaguem novas perspectivas sobre o transtorno.

O diagnóstico é feito por um profissional habilitado, que vai se basear no relato do paciente e de pessoas próximas a ele. Ele observa o comportamento, presta atenção aos prejuízos ao funcionamento diário do paciente, aos dados coletados através de escalas, questionários e outros instrumentos considerados importantes pelo profissional. Como o transtorno bipolar é complexo, é fundamental o cuidado, o zelo na coleta e análise de informações e na elaboração da hipótese diagnóstica.

O transtorno bipolar compartilha muitos sintomas com outros transtornos, como o transtorno depressivo maior e o transtorno de personalidade borderline. Em linhas gerais, se o paciente apresenta sintomas de mania ou hipomania, o profissional certamente deverá levar em consideração o diagnóstico de transtorno bipolar. Ainda assim, o diagnóstico deverá ser feito com muito cuidado e zelo.

Mesmo com as diversas dificuldades, é importante algumas dicas para manter um bom convívio. Primeiro, é fundamental procurar ajuda de um médico. Hoje em dia, já existem medicamentos eficazes para o tratamento do transtorno bipolar e transtornos relacionados. Segundo, faça psicoterapia. Ela complementa o tratamento medicamentoso e contribui para o aumento da motivação, o manejo das crises e a criação de projetos pessoais. Terceiro, continue no tratamento. Muitas vezes, pelos próprios sintomas do transtorno, o paciente desiste do tratamento e isso leva à desmotivação e até a tentativas de suicídio. Confie nos profissionais e siga as orientações.

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