Criptomoedas viram alternativa para russos e ucranianos em meio à guerra

Postado em: 12-05-2022 às 09h59
Por: Redação
Para evitar o esvaziamento das reservas bancárias ainda disponíveis, os bancos russos também colocaram limite de saques para a população.

Por Cleberson Marques

As moedas digitais passaram a ser usadas para evitar o colapso financeiro nas economias da Rússia e da Ucrânia por causa da guerra que já dura três meses. Neste cenário, o Banco Central dos ucranianos suspendeu saques em moeda estrangeira e limitou a quantidade de moeda local que as pessoas podem retirar de caixas eletrônicos. No outro ponto do conflito, a Rússia sofre mais. 

O país de Vladimir Putin se viu sob forte pressão econômica, depois que começou a sofrer sanções econômicas por vários países do ocidente. A União Europeia excluiu sete bancos russos do sistema Swift [Sociedade de Telecomunicações Financeiras Mundial], que é um sistema bancário internacional, criado na Bélgica em 1973, com objetivo de padronizar informações financeiras e transferências de recursos entre bancos ao redor do mundo. As empresas russas estão tendo que negociar diretamente o sistema de pagamento com o parceiro comercial, seja por e-mail, telefone ou por um sistema próprio. Para evitar o esvaziamento das reservas bancárias ainda disponíveis, os bancos russos também colocaram limite de saques para a população. 

Solução adotada pelos dois países, as criptomoedas possibilitam a realização de operações financeiras para diferentes nações sem se submeter a regulações locais. A moeda Bitcoin (BTC) está sendo usada para pagar contas, transferir valores e como investimento para a proteção de reservas financeiras que estavam em moeda local. 

Segundo a Binance, maior balcão de ativos digitais do mundo, a Rússia saltou de uma média diária de 15 milhões de dólares em transações em criptomoedas em janeiro e fevereiro deste ano para 75 milhões de dólares diários. Já a Ucrânia, depois dos ataques russos, saltou de uma média de 11 milhões de dólares diários para 35 milhões de dólares em movimentação diária por meio das criptomoedas.

As criptomoedas nada mais são do que seu dinheiro eletrônico, porém com uma grande diferença: não existe uma entidade centralizadora que as controlam. Seu controle está em uma rede descentralizada que é concebida através da utilização de uma tecnologia chamada blockchain. 

A rede de registro mundial é formada pela soma dos computadores que a utilizam no mundo, gerando registros únicos, imutáveis e totalmente transparentes, porém criptografados, o que garante a proteção de dados sensíveis registrados pelo portador do registro nesta rede e garantindo a você e a mim o controle individualizado do dinheiro. Ou seja, nesse sistema, seu patrimônio é um título ao portador, não podendo ser impactado diretamente por qualquer intervenção de governo ou entidades financeiras. 

Sabemos que tudo sempre tem seu lado bom e seu lado ruim, e não seria diferente no ambiente das criptomoedas. Teremos movimentos empreendedores e promissores para o mundo, assim como tentativas de golpes e fraudes. De toda forma, já se sabe que essa é uma realidade sem volta. 

Como cidadãos, precisamos nos dispor a aprender e apreender essa nova realidade. Já os governos precisarão criar uma nova lógica de gestão econômica, sem afetar a liberdade conquistada com as criptomoedas. Falando nisso, o Brasil parece estar no caminho certo. Implantou o PIX, que é uma moeda digital em sua essência, e já planeja um novo passo com o lançamento do Real Digital, além da regulamentação da tokenização, um importante instrumento digital que garante a segurança dessas operações. Bem-vindo ao futuro.

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