Os “50 Anos em 5” da inovação corporativa no Brasil                   

Os últimos 5 anos estão entre os mais movimentados da história da inovação no Brasil

Postado em: 06-07-2022 às 09h04
Por: Redação
Os últimos 5 anos estão entre os mais movimentados da história da inovação no Brasil | Foto: Reprodução

Felipe Novaes

Os últimos 5 anos estão entre os mais movimentados da história da inovação no Brasil. Em 2018, por exemplo, nasceram os primeiros unicórnios brasileiros e hoje o País é líder nas iniciativas bilionárias na América Latina. Em 2019, outro avanço: o número de startups nacionais cresceu três vezes comparado a 2015. Nos últimos 5 anos, as grandes organizações também se destacaram. O volume de Venture Capital bateu recorde atrás de recorde, compromissos de sustentabilidade ganharam prioridade e cresceu na pauta o uso de termos como ESG, 5G, Open Finance, marketplace, transformação digital e metas de carbono.

Diante desse cenário, as organizações começaram a perceber que, embora inovar seja caro, o risco de perder o protagonismo, ou desaparecer do mapa, representaria um custo ainda mais alto. Nessa linha, um estudo realizado para o Anuário Valor Inovação Brasil de 2021 demonstrou o quanto a inovação vem recebendo espaço nas corporações. Metade dos executivos entrevistados afirma que inovar é a principal estratégia de sua empresa, um crescimento de 13 pontos percentuais em apenas um ano.

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Indicadores como esse apontam que a inovação já se tornou um aspecto fundamental da vida de empresas que conseguiram conscientizar suas lideranças, perceber o desejo do consumidor e criar estratégias eficientes de transformação. Uma valiosa oportunidade em um país no qual as pessoas confiam duas vezes mais nas marcas para ter acesso a soluções do que no governo.

No Brasil, a ampla extensão territorial e o tamanho da população permitem expandir negócios e ganhar escala. Se somarmos nosso mercado a toda a América Latina, temos um número de consumidores maior que o dos EUA. As ineficiências nas cadeias de produção locais ou de infraestrutura, custos ainda extremamente altos de processos analógicos e manuais, um público diverso e com demandas variadas, aberto a novidades e tecnologias, são convites ao investimento em inovação aqui. Dificuldade, sob a ótica da inovação, costuma ser oportunidade.

As empresas sentem a importância da inovação brasileira e querem colocar o pé no acelerador. Uma pesquisa da Deloitte envolvendo 500 organizações com receitas que somam 35% do PIB nacional publicada há poucos meses mostra que 70% delas ampliarão ações em P&D e mais da metade vai intensificar parcerias com startups em 2022, sendo que 85% almejam lançar produtos novos ainda este ano.

O que às vezes parece faltar é um foco maior na estratégia de inovação e na importância dada ao que realmente a viabiliza. De acordo com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), cerca de 65% das empresas que inovaram durante a pandemia não têm sequer orçamento reservado para isso, tampouco times exclusivamente dedicados. E se não há um time empenhado 100% na inovação é grande a chance de uma empresa produzir iniciativas limitadas ou hábeis em mirar apenas o curto prazo.

Para inovar e não fazer dessa ação fracasso e trauma, uma grande empresa precisa se preparar. Querer se aprofundar no negócio, rever processos internos, reconhecer entraves que inviabilizam o novo, entender a forma mais adequada de engajar as pessoas, as forças empreendedoras, escolher suas apostas e transformar sua cultura.

Na sequência desses “50 anos em 5” que vivemos, o momento para investir em inovação corporativa no Brasil é um dos mais propícios – e necessários. Está principalmente em nossas mãos (e planilhas) criar a melhor estratégia para que esse esforço se traduza em produtividade, performance e liderança.

Felipe Novaes é sócio e cofundador de empresa de inovação corporativa, gestão e governança

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