Tempo de economizar recursos naturais

Chegamos ao fim do período de férias escolares e com ela a criançada em casa enquanto os pais se desdobram para a nova rotina diária

Postado em: 29-07-2022 às 09h28
Por: Redação
Chegamos ao fim do período de férias escolares e com ela a criançada em casa enquanto os pais se desdobram para a nova rotina diária | Foto: Reprodução

Sandra Oliveira Santos 

Chegamos ao fim do período de férias escolares e com ela a criançada em casa enquanto os pais se desdobram para a nova rotina diária, entretenimento de qualidade e segurança aos pequenos. Embora muito esperado pelas crianças, nem sempre esse período de férias escolares coincide com a de seus pais. Há também os pais profissionais autônomos que por motivos diversos não poderão desfrutar de tempo livre com seus filhos enquanto estes aguardam o retorno às aulas.

Independente dessa condição real, a meninada quer brincar mais, fazer atividades que em tempo de aula não é possível, usufruir de forma mais ampla às brincadeiras que eram restritas por tempo determinado. Ou seja, ser criança de forma integral. Ao deparar-se com atividades que dependem de guardiões mais atentos, como por exemplo as piscinas privadas ou coletivas, os cuidadores estarão ocupados e provavelmente vão negociar os famosos tempinhos e ainda terão que protelar mais uma vez. 

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A invenção de ir para a casa dos avós ou primos vai depender muito da distância e da condição da outra família poder acolher os pequenos ávidos por diversão. Quem vai escutar “vamos assistir um filme?”. Assim, serão algumas poucas horas com a pipoca rodando na tigela de mão em mão. Passará rapidamente e a criança estará ao redor do adulto com aquele olhar de não tenho nada legal para fazer.

As colônias de férias aumentaram seus espaços para abraçar mais crianças nessas condições. Há de se lembrar que não estão ao alcance financeiro de todas as famílias, pois onera em dois grandes pontos: o custo do processo e a velha e complicada situação “quem vai levar e buscar?”. 

Lá estão eles de novo, dentro de casa com aquilo que não é mais novidade para a maioria dos pequenos, os jogos eletrônicos. Entram aí o celular, o computador de mão ou mesmo as possantes máquinas que permitem os jogos em rede. Aí sim o tempo passa sem mesmo a criança perceber que o dia se foi e o adulto, no primeiro ato, acredita que a solução está nesse aparato tecnológico.

Os jogos são invencíveis, pois ganhando ou perdendo vai começar nova partida. A criança deixa até de comer o que é preciso e se delicia com produtos que chegam embalados e que possuem calorias abusivas nos sabores de muita frutose industrial (famoso xarope de milho) ou então uma acentuada coleção de sódio (sal de variadas formas). 

O brilho dos olhos das crianças se faz pelas cores que estão nas telas desses admirados componentes eletrônicos ou nas luzes da casa que estão absurdamente ligadas. Além das lâmpadas, em muitas residências se opta por ar-condicionado. Aquele que estará sem controle de uso, pois se aprendeu que um pouco mais de calor no ambiente exigirá o conforto de um equipamento que promove na sua gênese maior o incremento na conta de energia.

Assim são as férias mal planejadas, onde os banhos ficarão bem maiores e o chuveiro com a chave na parte mais aquecida, suportando momentos intermináveis de relaxamento e, por que não dizer, de esquecimento. Assim que o banho terminar virão as aberturas da porta da geladeira. Ali se guarda não somente o alimento da família a ser preparado em horário adequado, mas também a coleção de guloseimas que vão ajudar a diminuir o tédio de quem ainda não encontrou uma atividade correta para o tempo de férias.       

Provavelmente os pais vão atenuar os puxões de orelha pois sabem que estão diretamente ligados a essa condição. Afinal, planejar férias não é tão simples assim, pois envolvem as questões financeiras, estruturais e de tempo. Com essa situação, perceberá que as famosas taxas de consumo terão um aporte a mais pelo desperdício. Então fica a dica: água e energia são bens que alcançam as nossas casas enquanto se tem o recurso natural para ser distribuído. A produção de resíduos sólidos, o famoso lixo, passará a ser uma preocupação familiar quando não houver mais local de destinação.

Como gestora ambiental e educadora, não abandonaria esse texto sem sugerir algumas táticas que podem ser utilizadas se previamente planejadas pela família. Podemos começar indicando brincadeiras de trilhas domésticas onde os pais podem “guardar” prendas para os filhos que cumprirão provas, nada mais que atividades domésticas criativas. 

Eu, por exemplo, penso que não é muito agradável organizar os objetos dentro de um armário, até que se tenha regras de um jogo e o prêmio para o mais criativo, o mais rápido, o mais funcional, e por aí vai. Penso também que o filme ficará mais atrativo se, após, as crianças puderem utilizar alguns objetos da casa para reproduzir algumas partes do filme como atores improvisados de um texto copiado. 

Acho mesmo que até o jogo eletrônico poderá estar incluído em alguns momentos, e para o ganhador ou perdedor, a família em conjunto pagará por uma deliciosa prenda: vamos fazer um bolo, uma torta, ou algo que ajudará todos a terem um momento de atividade em conjunto.

Assim, para deixar que os pequenos não se esqueçam, o mais importante é mexer o esqueleto. Então acordem as crianças para uma brincadeira matinal de movimento. Se a hora não permitir devido aos compromissos dos adultos, não se esqueça que no final do dia podemos caminhar, correr, pular corda ou um parkour bem tranquilo. O que não se pode esquecer é que nossos filhos refletem as atitudes e os valores que lhes ensinamos. Feliz férias, moçadinha.

Sandra Oliveira Santos é professora no ensino superior e gestora ambiental

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