MP admite pressão externa sobre delação de empreiteiro

Procuradores dizem que divulgação de supostos anexos da proposta de colaboração aponta para possibilidade de ter ocorrido má fé na negociação

Postado em: 30-08-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Procuradores dizem que divulgação de supostos anexos da proposta de colaboração aponta para possibilidade de ter ocorrido má fé na negociação

A força-tarefa de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) que atua na Operação Lava Jato disse ontem que existe “pressão externa” para forçar a aceitação do acordo de delação do ex-presidente da empreiteira OAS Léo Pinheiro. Em nota, os procuradores disseram que a divulgação de supostos anexos da proposta de colaboração “aponta para a possibilidade de ter ocorrido má-fé na negociação”
A manifestação foi motivada por reportagem da revista Veja, publicada no dia 20 de agosto. Para os procuradores, a “falta de credibilidade dessas posturas” confirma a decisão tomada na semana passada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de encerrar as negociações com a empreiteira.
“Em um contexto em que a pretensa colaboração não é convincente o bastante, a criação do relato fora do contexto das negociações revela uma tentativa de forçar os investigadores a aceitar a colaboração mediante pressão externa, a despeito de uma análise apropriada do interesse público envolvido”, diz a nota.
Os investigadores também reafirmaram compromisso de celebrar somente os acordos de delação que “contribuam efetivamente” para as investigações.
“Os membros do Ministério Público reiteram seu compromisso com a Constituição Federal, as leis, a sociedade e a justiça. Reafirmam ainda sua intenção de analisar cuidadosamente todas as propostas de acordo de colaboração, para celebrar somente aqueles que contribuam efetivamente para as investigações, garantam a punição dos culpados e maximizem o ressarcimento aos cofres públicos em face dos crimes bilionários de corrupção que sangraram, por mais de uma década, o Brasil”, afirmam os procuradores.
Na semana passada, a divulgação da reportagem provocou polêmica entre Rodrigo Janot e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

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