PF investiga fraudes em quatro fundos de pensão

Justiça determinou o sequestro de bens e bloqueiro de ativos em contas bancárias de 103 pessoas físicas e jurídicas, no valor de R$ 8 bilhões

Postado em: 06-09-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Justiça determinou o sequestro de bens e bloqueiro de ativos em contas bancárias de 103 pessoas físicas e jurídicas, no valor de R$ 8 bilhões

A Polícia Federal deflagrou ontem de manhã a Operação Greenfield, que investiga crimes de gestão temerária e fraudulenta em quatro dos maiores fundos de pensão do país: Funcef, Petros, da Petrobras Previ e Postalis. A operação conta com o auxílio técnico do Ministério Público Federal, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Ao todo, 560 policiais federais cumprem 127 mandados judiciais expedidos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas, além do Distrito Federal. A Justiça determinou ainda o seqüestro de bens e o bloqueio de ativos e de recursos em contas bancárias de 103 pessoas físicas e jurídicas que são alvos da operação, no valor aproximado de R$ 8 bilhões.
De acordo com a PF, as investigações começaram a partir de dez casos investigados que revelaram déficits bilionários nos fundos de pensão. Entre os dez casos, oito são relacionados a investimentos realizadas de forma temerária ou fraudulenta pelos fundos de pensão, por meio dos FIPs (fundos de Investimentos em Participações).
Durante as investigações, foram identificados um núcleo empresarial, um núcleo dirigente de fundos de pensão, um núcleo de empresas avaliadoras de ativos e um núcleo de gestores e administradores dos FIPs.
Os investigados responderão por gestão temerária ou fraudulenta, além de outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, previstos na Lei nº 7.492/86.
Em Brasília são cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, seis de condução coercitivas e cinco de prisão temporária. No estado de São Paulo, a Justiça expediu 46 mandados de busca e apreensão, 18 conduções coercitivas e uma prisão temporária a serem cumpridos na capital, em Santos e em Campinas. No estado do Rio, a operação cumpre 31 mandados de busca e apreensão, oito conduções coercitivas e uma prisão temporária.
Em Vila Velha, no Espírito Santos, a operação cumpre um mando de busca e apreensão e um de prisão temporária. Na Bahia, foram expedidos um mandado de busca e apreensão e um de condução coercitiva em Salvador e um de busca e apreensão em Ilheus.
A Justiça expediu ainda um mandado de busca e apreensão em Curitiba, no Paraná; três de busca e apreensão, um de condução coercitiva e um de prisão temporária em Florianópolis, Santa Catarina; além de dois de busca e apreensão e um de condução coercitiva em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Léo Pinheiro presta depoimento

Seis pessoas foram conduzidas coercitivamente e prestaram depoimento ontem na Superintendência da Polícia Federal (PF), em São Paulo, como parte da Operação Greenfield, deflagrada ontem em oito estados, além do Distrito Federal. No total, foram expedidos 17 mandados de condução coercitiva em São Paulo. Na mesma operação, a PF prendeu um empresário no Rio de Janeiro, mas não revelou a identidade. A Operação Greenfield investiga fraudes e irregularidades na administração em quatro dos maiores fundos de pensão do país: Funcep, Petros, Previ e Postalis.
Entre os que tiveram de prestar esclarecimentos está o ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro. Em agosto do ano passado, o empresário foi condenado pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, em um processo da Operação Lava Jato, a 16 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e por pertencer a organização criminosa. Pinheiro ainda é réu em outras duas ações na Operação Lava Jato. 
Em agosto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) suspendeu a negociação para um possível acordo de delação premiada com o ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro.

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