Iris e Vanderlan partem para o tudo ou nada

Os candidatos irão utilizar de todos os meios para atrair os votos dos indecisos

Postado em: 19-10-2016 às 08h00
Por: Renato
Os candidatos irão utilizar de todos os meios para atrair os votos dos indecisos


Mardem Costa Jr.

A onze dias do segundo turno, Iris Rezende (PMDB) e Vanderlan Cardoso (PSB) disputam voto a voto os eleitores indecisos e apáticos – 7% não sabem em quem votar, de acordo com a última rodada da pesquisa Serpes/O Popular. Para sagrar-se vencedora nas urnas no próximo dia 30, ambas as campanhas estão abrindo mão de várias ações, especialmente os ataques contra o adversário nos programas eleitorais de rádio e televisão. 

Repetindo o mesmo modus operandi do primeiro turno, o staff de Iris veicula peças vinculando Vanderlan ao governador Marconi Perillo (PSDB), sugerindo que o tucano seria o prefeito de fato. O pessebista conseguiu impedir estas pílulas, mas os iristas pretendem continuar batendo nessa tecla. Amparados por pesquisas qualitativas, eles perceberam que a vinculação de imagem afasta uma parcela do eleitorado propensa a votar no socialista e amplia seu índice de rejeição.

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O HOJE destacou na edição de ontem que as duas campanhas estão empreendendo uma guerra de liminares – até então 38 tinham sido concedidas, sendo 22 a favor do postulante do PSB e as demais 16 a favor do concorrente do PMDB. Uma das ações mais contundentes, da juíza Rozana Camapum, impôs uma multa de R$ 1,15 milhão para Iris e suspendeu a veiculação das pílulas neste fim de semana. A equipe jurídica do peemedebista conseguiu reverter a segunda punição, mas a primeira continua valendo, acrescida de juros.

Na coordenação de Cardoso, por sua vez, vem utilizando a propaganda eleitoral para questionar o que chamam de real intenção de Iris. Numa das peças, enquanto um bolo é produzido, o narrador lembra que Rezende tem histórico de não cumprir promessas e que, caso eleito, poderá renunciar ao mandato para ser candidato a governador em 2018. 

Ao final da pílula, a câmera frisa no nome do vice do peemedebista, Major Araújo (PRP), que ficou desgastado junto à opinião pública ao propor a chamada “bolsa arma” – um auxílio governamental para a aquisição do equipamento de defesa. Araújo não está aparecendo nos programas eleitorais de Rezende e tem evitado contato com a imprensa, restringindo sua atuação às atividades de rua.

Regionalização

Ao mesmo tempo em que empreende ações de guerra contra o adversário, a campanha irista busca reforçar apoios em várias partes da cidade, especialmente nas regiões Sul, Centro e Leste, onde Iris perdeu para Vanderlan no primeiro turno. Na região Sul, por exemplo, a campanha do ex-prefeito e ex-governador conta com o apoio do atual prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB) e de Gustavo Mendanha (PMDB) – eleito sucessor de Vilela ainda no primeiro turno, para atrair o eleitorado que ainda não definiu o voto.

Vanderlan, timidamente, começa a pontuar a parceria com o governador – o vice do pessebista, Thiago Albernaz, é correligionário de Marconi no PSDB. Ao mesmo tempo, busca movimentar a campanha nas regiões Norte, Campinas e Noroeste, históricos redutos eleitorais do peemedebista. Nesta última região, foi montado um comitê regional, enquanto as outras recebem caminhadas lideradas por figuras de proa do staff do socialista, como Albernaz e o deputado estadual Simeyzon Silveira (PSC).

Estratégias

Além de buscar o eleitorado ainda em dúvida em quem votar, os dois candidatos tem o desafio de atrair a simpatia de quem votou em outros postulantes no primeiro turno. De acordo com o cientista político e professor Sílvio Costa, isso não é automático. “O segundo turno é uma nova eleição”, salienta. 

A Serpes/O Popular, divulgada no domingo, indicou que Vanderlan absorve 61,2% dos votos dados a Adriana Accorsi (PT) – que seguiu o posicionamento neutro determinado pelo diretório metropolitano da legenda. A transferência mais equilibrada é da votação de Francisco Júnior (PSD) – 37,7% a favor do socialista ante 35,8% favoráveis a Iris.

Costa acredita que o tempo curto, além dos ataques na mídia eletrônica, as campanhas também buscarão reforçar as atividades presenciais mais intensas, como corpo a corpo, comícios, carreatas e reuniões. Ele acredita que o novo prefeito será eleito com uma margem apertada.

No bunker de Cardoso, segundo Simeyzon, a ordem é descentralizar as ações, com atividades organizadas simultaneamente e o reforço nos locais onde o peemedebista se saiu melhor. “Vamos mostrar que Goiânia pode ter uma gestão moderna, ágil, sem rancores políticos, que dinamizará os serviços públicos e a economia da cidade, além de resolver as demandas básicas ”.

A reportagem de O HOJE tentou contato com o vice-prefeito de Goiânia Agenor Mariano (PMDB), coordenador da campanha de Iris Rezende, mas as ligações não foram atendidas.

Personagens de vídeo de Iris já foram presos

Pelo menos duas pessoas com problemas com a Justiça foram personagens de vídeos divulgados no programa eleitoral de Iris Rezende, acusando Vanderlan Cardoso de não cumprir promessas quando o pessebista foi prefeito de Senador Canedo (2005-2010). Marco Antônio Lobianchie Solange Stela Branco de Gouveia possuem passagens pela polícia por motivos distintos. De acordo com informações do staff do socialista, elas teriam recebido dinheiro para darem depoimentos críticos à Cardoso.

Lobianchiresponde processo por furto, ameaça, lesão corporal e tráfico e uso de drogas e estava preso até março deste ano na cadeia de Senador Canedo. Já Solange, que indagou “se Vanderlannão deu conta de Senador Canedo e vai dar conta de Goiânia?”, responde por estelionato e chegou a ser detida no ano passado, em cumprimento a mandado por um crime ocorrido em Hidrolândia. A campanha de Iris, questionada por O HOJE, decidiu não se pronunciar.

Justiça retira site Goiás Real do ar

O blog Goiás Real, noticioso ligado ao PMDB, teve sua homepage suspensa ontem por decisão da juíza RozanaCamapum. De acordo com a magistrada, o site veiculou propaganda eleitoral considerada ofensiva à honra de Vanderlan Cardoso (PSB), pagou para impulsar a veiculação de notícias consideradas inverídicas e caluniosas e ainda descumpriu decisões judiciais anteriores, que determinaram a suspensão das páginas por 24 horas. 

A página no Facebook, apesar da decisão, ainda continua no ar. Num vídeo divulgado na rede social após a decisão judicial, o vereador eleito de Goiânia Jorge Kajuru (PRP) acusou Cardoso de censurar e cercear a liberdade de expressão.

Alexandre Moreira da Silva, identificado como responsável pelo blog, terá que pagar multa de R$ 170 mil pela desobediência, além de não poder veicular conteúdos na página até o final do processo eleitoral deste ano. O domínio goiasreal.com.br está registrado no CNPJ dodiretório municipal de Guapó do PMDB. Ninguém do partido foi localizado para comentar o caso.

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