Abstenção demonstra desinteresse político

Goiânia tem o quarto maior índice de abstenção entre as capitais que realizaram segundo turno no domingo

Postado em: 01-11-2016 às 06h00
Por: Redação
Goiânia tem o quarto maior índice de abstenção entre as capitais que realizaram segundo turno no domingo

João Barbosa

Ao final das apurações de todas as urnas nas 55 cidades brasileiras em que foi realizado segundo turno para a escolha dos novos prefeitos no domingo (30), um dos dados que mais chamou a atenção foi o grande número de eleitores que se abstiveram de votar, principalmente nas capitais. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os votantes do segundo turno somaram quase 33 milhões, destes, mais de sete milhões (21,6%) decidiram não sair de suas casas para escolher um líder para seus municípios.

Em Goiânia, onde o candidato Iris Rezende (PMDB) conquistou a vitória com 57,7% dos votos válidos, o número de abstenção foi de 230.555, somando 24,09% do total de eleitores da capital. Com esse número, a cidade é a quarta capital brasileira com o maior índice de abstenção, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Cuiabá.

Continua após a publicidade

Já os votos brancos foram de 15.478, enquanto os nulos totalizaram 53.736 votos. Somados, os votos brancos, nulos e abstenções totalizaram 299.769. No primeiro turno da capital, o número de eleitores que preferiram não dar seu voto totalizou 199.407 (20,83%).
Em Anápolis o cenário não foi muito diferente, com 60.929 abstenções, representando 23,38% do total de eleitores no município, contra 19,11% no primeiro turno das eleições. Já os brancos e nulos juntos totalizaram, neste domingo, 264.433 votos.

De acordo com o professor de Teorias Políticas e Especialista em Ciências Políticas, Sílvio Costa, esses números reforçam a sensação de despolitização da população brasileira. “Nos últimos anos, a imprensa tem associado a política apenas a crimes e escândalos, reforçando o senso comum e fazendo com que os cidadãos acreditem que toda política está ligada somente à corrupção”, explicou Costa.

O especialista também comenta que, com raras exceções, as propostas dos candidatos são muito parecidas, com apenas o objetivo de ganhar votos e não demonstrar sua visão de gerenciar uma cidade. “Isso também desmotiva o eleitorado, que já tem uma visão negativa do processo político. Para o cidadão não faz diferença em quem votar, já que as propostas são tão parecidas. Não há diversidade”, afirmou Sílvio.

Um exemplo da desmotivação do eleitor no segundo turno, de acordo com Costa, foi a utilização da TV como principal palco do embates políticos entre os prefeitáveis de Goiânia, pois as mobilizações sociais realizadas por eleitores foram muito tímidas. “E tudo isso é muito ruim para a política como um todo. As pessoas não estão mais se posicionando frente aos que se propõe governar a cidade. E querendo ou não, é no campo da política onde é decidida toda a nossa vida. No momento em que o eleitor se ausenta, ele reforça ainda mais a visão negativa da política”, alerta o cientista político.

Nacional

Em algumas capitais os percentuais de abstenções, votos nulos e brancos no segundo turno totalizaram um número maior do que o total de votos recebidos pelo vencedor da eleição. No Rio de Janeiro, por exemplo, Marcelo Crivella (PRB) foi eleito com 1.700.030 votos, mas somando a quantidade de eleitores que não votaram com os brancos e nulos chega-se a um total de mais de 2 milhões de pessoas que rejeitaram ambos os candidatos, número maior do que os recebidos pelo vencedor.

Em entrevista coletiva o presidente do TSE, Gilmar Mendes, afirmou que os números não podem ser desprezados, mas também deve-se levar em conta imprecisões do cadastro eleitoral, como pessoas que mudam de endereço e não fazem a atualização de seus dados eleitorais.

Abstenção:

Goiânia
– Segundo Turno = 24,09%
– Primeiro Turno = 20,83%

Anápolis
– Segundo Turno = 23,38%
– Primeiro Turno = 19,11%

Brasil
– Segundo Turno = 21,6%
– Primeiro Turno = 17,58%

Veja Também