Marconi defende prévias e não descarta candidatura

Governador cita exemplo de Barack Obama e anuncia que pode percorrer país para mostrar projeto de Governo, com base em sua experiência em Goiás

Postado em: 01-11-2016 às 06h00
Por: Redação
Governador cita exemplo de Barack Obama e anuncia que pode percorrer país para mostrar projeto de Governo, com base em sua experiência em Goiás

Venceslau Pimentel

A julgar pela disposição do governador Marconi Perillo (PSDB), o quadro de pré-candidatos a presidente da República, pelo partido, em 2018, não vai se limitar a nomes tradicionais da legenda. Ele disse ontem, com convicção, de que não só vai defender a realização de previas para a escolha do candidato, como está disposto a colocar seu nome no processo.

Em entrevista à imprensa, Marconi citou nomes como o do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o do senador Aécio Neves e o do ministro de Relações Exteriores, José Serra. Os três já foram derrotados na disputa pelo Palácio do Planalto, todas elas contra candidatos petistas: Serra em 2002, Alckmin em 2006, Serra em 2010 e Aécio em 2014.

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Para mostrar que uma eventual postulação dentro do partido pode ser viável, Marconi citou o caso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Segundo avalia, se não fosse pela realização de primárias, Obama não teria vencido a disputa em 2008, no Partido Democrata, que tinha como favorita a então senadora Hillary Clinton.

Da mesma forma, ele reafirma a defesa das prévias, no PSDB, para a escolha do presidenciável em 2018. “E nas prévias eu posso entrar como pré-candidato, assim como Geraldo, Serra, Aécio. Nós temos vários quadros”, nominou, citando ainda Pedro Taques, governador de Mato Grosso.

Mesmo não tendo ainda uma decisão quanto a entrar na disputa, o governador afirmou que vai defender as prévias “com unhas e dentes”, como ele mesmo frisou. Para ele, num partido em que há nomes de destaque, é preciso democratizar a participação de todos e dar oportunidade a novos projetos e ideias. “E eu não descarto a disputar prévias. Não descarto mesmo, não tem problema nenhum”.

Ganhar ou perder, de acordo com o tucano, vai depender do desempenho dele. Adiantou que, num processo de disputa, não iria atacar ninguém, e sim apresentar projetos para o Brasil. Nesse caso, disse estar disposto a percorrer o país divulgando suas ideias país, falando da experiência adquirida por ele em quatro mandatos como governador de Goiás.

Ao fazer uma avaliação sobre o quadro geral do resultado das eleições no país, Marconi concluiu que o PSDB foi o grande vencer, por ter conseguido eleger sete prefeitos em capitais – São Paulo, Teresina, Porto Velho, Porto Alegre, Maceió, Belém e Manaus. O PMDB, por exemplo, elegeu em quatro.

Sem golpe

Mais que isso, o governador observou que, no segundo turno, dos 57 prefeitos eleitos, 46 são da base de apoio do governo Michel Temer e, na soma de todos os eleitos, 4.446 são de partidos que dão apoio ao presidente. Ele explicou o porquê dos números. “Isso é importante, porque aquela tese do golpe (propagado pela ex-presidente Dilma Rousseff e pelo PT) acabou não se confirmando nas urnas, nem no primeiro nem no segundo turno”.

No caso de Goiás, ele relacionou que 205 prefeitos eleitos, de um total de 246, integram partidos de sua base de apoio. Esse grupo deve se fortalecer mais ainda. “Muitos da oposição já procuraram o governo, e nós teremos um diálogo com todos eles, independentemente de partido”, pontuou.

Indagado sobre a expectativa de relacionamento com o prefeito eleito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), Marconi respondeu que será a mais tranquila possível, da mesma forma como se deu com o peemedebista Maguito Vilela, em Aparecida; com João Gomes, em Anápolis; e com Paulo Garcia, em Goiânia, ambos do PT. “Vou me pautar, assim como o governo, com espírito republicano de sempre. Estenderei as mãos a todos os prefeitos de todos os partidos”, disse.

“Não mostrar obras foi equívoco”

Apesar de tecer elogios ao desempenho de Vanderlan Cardoso (PSB), que ficou com 42,30% dos votos, mas que foi derrotado por Iris Rezende (PMDB), que registrou 57,70%, Marconi Perillo apontou o que ele classificou como apenas um equívoco dos marqueteiros da campanha dele.

Para ele, a campanha do pessebista não conseguiu explorar de forma mais eficiente as obras e serviços que o governo fez em Goiânia. Ele destacou os avanços na área da saúde, como o Hospital Otávio Lage (Hugol), a excelência do trabalho do Hospital de Urgência (Hugo) e do Hospital Geral de Goiânia (HGG).

Marconi também relacionou as melhorias feitas por seu governo na duplicação da rodovias que saem da capital, com a construção de túneis, com todos os trechos iluminados, e ainda o complexo do Centro de Excelência, aí incluído o novo Estádio Olímpico.

Apesar dos reparos à campanha do aliado, o governador elogiou a coragem dele em entrar na disputa na capital, depois que o PSDB declinou de lançar nome próprio, após a saída do deputado federal Giuseppe Vecci. Mesmo tendo apresentado e indicado o vereador Thiago Albernaz como vice, Marconi entende que o seu partido precisa trabalhar mais, para tentar ganhar a prefeitura, o que não acontece desde 2000. “O PSDB precisa se preocupar em se organizar e mostrar a cara e o que estamos fazendo em Goiânia”.

Desgastes

Aos repórteres, o governador disse ter ficado satisfeito com a associação de sua imagem à de Vanderlan, explorada por Iris em seus programas eleitorais. “Até achei bom. A associação sempre me colocou numa situação bacana. Nunca ouvi ataques. Mostraram minha relação com Vanderlan, que era pública”.

Marconi disse que iria até agradecer a Iris. “Achei bacana, acho que não houve nenhum desrespeito”. Quanto à uma eventual transferência de votos, ele disse que eleição é disputada pelos candidatos e não pelos apoiadores. “Questão de apoio interfere muito pouco. Definitivamente as pessoas sabem em quem votar. E também se vence eleição por associação de fatores”.

R$ 200 milhões para convênios com as prefeituras 

Marconi Perillo anunciou que serão destinados R$ 200 milhões do Orçamento de 2017 para a execução de convênios com todas as Prefeituras do Estado em obras de mútuo interesse. A liberação dos recursos foi detalhada durante coletiva à imprensa, realizada na Sala de Reuniões do 10° andar do Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia.  

“Estamos abertos para todos os que quiserem ter uma boa relação com o governo e realizar parceiras. Esses convênios serão apenas para obras. Não incluem as obras que o Governo vai realizar no estado inteiro por conta própria e as outras parcerias, como nas áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, que envolvem recursos vinculados”,.

Marconi disse que os projetos de convênio entre Governo do Estado e prefeituras serão coordenados pelo secretário de Governo, Tayrone Di Martino, e começam a ser discutidos de imediato. “A partir dessa semana, começo a me reunir todos os prefeitos eleitos. Estaremos abertos a todos aqueles que quiserem discutir projetos e firmar parcerias”.
 
Audiências

A agenda de encontro com prefeitos eleitos tem início nesta semana, com jantar para os 99 prefeitos eleitos do PSDB (77) e PP (22). “No decorrer dessa semana provavelmente recebo os demais em audiência ou almoço. Ainda vou receber neste ano os prefeitos das cem maiores cidades de Goiás para discutirmos medidas de interesse para Goiás”, afirmou. 

Ele destacou que terá reuniões individuais com todos os prefeitos dos 246 municípios até fevereiro de 2017. “Já agendei 60 para novembro e 40 para dezembro. Os outros 146 serão recebidos em janeiro e fevereiro. Mas faço questão de recebê-los individualmente todos eles para conversar sobre projetos, parcerias e medidas que pretendem adotar para tomar os seus planos de governo”, disse.

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