Mabel tenta cavar espaço político de olho na Câmara

Ex-deputado federal e atual presidente da FIEG especializa-se em atacar o governador para chamar atenção e aparecer como liderança da oposição em Goiás | Foto: Reprodução

Postado em: 30-04-2021 às 08h21
Por: José Luiz Bittencourt
Ex-deputado federal e atual presidente da FIEG especializa-se em atacar o governador para chamar atenção e aparecer como liderança da oposição em Goiás | Foto: Reprodução

O projeto do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás – FIEG Sandro Mabel é, mais uma vez, voltar à política, da qual já se afastou em outras ocasiões e na sequência conseguiu se reenquadrar. Na verdade, ele foi expelido, em pelo menos dois momentos, pelos desgastes acumulados com o seu envolvimento em praticamente todos os escândalos que estouraram nos últimos 20 a 30 anos dentro do Congresso Nacional.

Mensalão, propinas, sonegação fiscal, suborno de funcionários, compra de votos e tudo o mais que periodicamente abala o serpentário político de Brasília trazem sempre um detalhe em comum: a participação de Mabel, que até, nos seus mandatos na Câmara Federal, chegou a se destacar como um parlamentar com trânsito nos bastidores, porém infelizmente com uma tendência irrefreável para a monetização.

É unânime entre a classe política estadual que Mabel se esforça para fazer da sua gestão na FIEG um trampolim para um novo mandato, provavelmente de deputado federal. Dizem que ele chegou a pensar em aproveitar o enfraquecimento da oposição em Goiás para se posicionar como postulante ao Palácio das Esmeraldas, a partir de uma antagonização com o governador Ronaldo Caiado. E daí tudo o que tem feito.

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Mas, aparentemente, esse caminho não se abriu, já que depende de virtudes que não estão no currículo desse exempresário que vendeu a gigantesca fábrica de bolachas construída pelo pai e se transformou em milionário, retendo, contudo, a marca como seu sobrenome. Não surgiram partidos interessados em bancar o projeto majoritário de Mabel, receosos da impossibilidade de se sair bem em uma eleição polarizada com um candidato de biografia polêmica – como poucas.

Pode ser que ele não tenha perdido as esperanças. Nas redes sociais e nos veículos onde ganha espaço, faz de tudo para ter visibilidade como crítico de Caiado, mesmo à custa de escorregões homéricos. O último foi a indicação, em nome da FIEG, de uma empresa chinesa que, segundo ele, estaria pronta para fornecer cinco milhões de vacinas contra a Covid-19 para o Estado de Goiás.

Pomposamente, Mabel anunciou – e entregou uma pasta com os documentos respectivos ao secretário estadual de Saúde Ismael Alexandrino – que a “área internacional” da Federação das Indústrias havia localizado um laboratório asiático, bastando apenas um contato formal para efetivar a compra dos imunizantes. Caiado, que não é bobo nem nasceu ontem, cumpriu o seu papel aceitando a sugestão, prudentemente consultou a Embaixada da China e se comunicou com a Fosun Pharma, a indicada, para receber como resposta, por escrito, que não havia nenhuma disponibilidade de vacinas para vender a Goiás.

Mais uma trapalhada do homem que foi praticamente o único a se opor à acolhida em Anápolis dos brasileiros que foram repatriados às pressas da mesma China, no início da pandemia do novo coronavírus. Duas derrapadas, de qualquer forma, bem menores que os casos de corrupção plantados ao longo da trajetória política de Mabel e que agora, se ele realmente quiser inventar uma candidatura, vão se levantar da lama para assombrar os seus passos.

Há quem pense que se trata apenas de um megalomaníaco. Ou de alguém a quem falta estofo intelectual e que procura cobrir o rombo com extravagâncias para aparecer, como se atitudes não tivessem consequências. Isso pode até ser compatível com Mabel, não com o presidente da mais importante instituição classista do Estado, onde, inclusive, há insatisfação dos pares com o seu comportamento. Só que não houve surpresa. Era o que se poderia esperar de quem é dono de tamanha ficha corrida. (Especial para O Hoje)

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