Alvo de operação da Polícia Civil de Brasília atua em OS de Goiás

Investigada sob suspeita de superfaturamento, a RTD Soluções e Imagem é contratada por OS que presta serviço para o hospital de campanha de Luziânia

Postado em: 27-08-2021 às 08h24
Por: Redação
Investigada sob suspeita de superfaturamento, a RTD Soluções e Imagem é contratada por OS que presta serviço para o hospital de campanha de Luziânia | Foto: Reprodução

Por Yago Sales

O Instituto Hospital de Base (IHB) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal terão de esclarecer ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) por que contrataram a empresa RTD Soluções em Imagem, por meio da empresa Diagnose, especializada em serviços de radiologia, no valor de R$ 21,8 milhões ao ano.

A RTD Soluções e Imagem Ltda, empresa alvo da operação Medusa, que cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do secretário Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), Ismael Alexandrino na manhã de ontem, quinta-feira (26), sob suspeita de superfaturamento em contrato em unidade de saúde do Distrito Federal (DF), mantém contrato com o governo do Estado de Goiás, por meio da Organização Social Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (IMED) com valor de R$ 201.126,00 mensais. 

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A empresa foi contratada em caráter de urgência, com dispensa de licitação, para execução das ações e serviços de saúde do Hospital de Campanha, implantado nas dependências do Hospital Regional de Luziânia (Contrato de Gestão Emergencial nº 027/2020 – SES / GO), com a finalidade, sobretudo, de atender a demanda dos pacientes portadores da COVID-19.  

A RTD Soluções e Imagem Ltda vivia uma batalha judicial para manter a prestação de serviço de radiologia no Instituto de Gestão Estratégica em Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), que administra o Hospital de Base (HB-DF). Antes de assumir a pasta da Saúde goiana, Alexandrino era diretor-presidente do hospital. 

A Polícia Civil do Distrito Federal foi à residência do secretário em uma casa de luxo, no condomínio Aldeia do Vale, onde foram apreendidos um pendrive e uma espingarda. A intenção da operação é entender como funcionava um suposto esquema envolvendo servidores, empresários e o secretário, gestor da unidade onde o serviço era prestado por meio do Contrato nº. 74/2018, estimado no valor 19,8 milhões. 

O processo de contratação se iniciou em junho de 2018, mas uma série de denúncias surgiram em torno da contratação da empresa. O Ministério Público de Contas (MPC), por exemplo, afirmou que não houve publicidade à seleção. Além disso, contestou o valor da contratação e apontou que não havia justificativa de se terceirizar a equipe médica de radiologistas. Segundo o órgão, havia 26 profissionais no Hospital Base na época em que o governo do Distrito Federal firmou o contrato. A procuradora-geral na ocasião, Cláudia Fernanda Pereira, elencou esses pontos e disse, em uma entrevista ao jornal Correio Braziliense: “Todos esses fatos levantam graves suspeitas em relação à publicidade, que a nosso ver restringiu em muito a participação de outras empresas”.

A reportagem do O Hoje ligou cinco vezes durante a tarde de ontem (26) para o telefone do secretário Ismael Alexandrino, mas não foi atendido. Acerca do do contrato, a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde não havia respondido até o fechamento desta edição. 

Já o empresário Felipe Endle, proprietário RTD Soluções em Imagem, confirmou à reportagem que mantém o contrato com a Organização Social Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (IMED), mas que não comentaria a operação. Por outro lado, a assessoria de imprensa da empresa enviou uma nota em que esclarece que mantém o contrato há alguns anos com o Hospital de Base de Brasília, na área de exames radiológicos, por meio da empresa Diagnose e que “desenvolve o trabalho com fiel cumprimento das cláusulas do contrato firmado com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF)”. 

Ainda segundo a nota, “nada foi encontrado, eis que o nosso trabalho é norteado pela ética, honestidade e respeito às leis” e que a empresa está “à disposição dos órgãos de investigação para colaborar com qualquer esclarecimento ou elementos que possam auxiliá-los”. Sobre o contrato firmado com o governo de Goiás, por meio do IMED, a assessoria não quis comentar.

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