Em Goiás, agro têm visões diferentes, mas foca nas soluções

Há um racha no setor entre defensores e críticos do presidente Jair Bolsonaro

Postado em: 21-09-2021 às 08h42
Por: Marcelo Mariano
Há um racha no setor entre defensores e críticos do presidente Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução

No final de agosto, um manifesto divulgado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e outras seis entidades, que, juntas, representam 336 empresas do agronegócio, expôs um racha no setor.

De um lado, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Do outro, aqueles que expressam preocupação com a crise institucional no Brasil, principal assunto do manifesto, que, apesar de não ser dito publicamente, foi visto como uma crítica ao governo federal, além de pressionar a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A reportagem apurou que, no caso da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), não existe a intenção de divulgar um posicionamento contra ou a favor.

Continua após a publicidade

“Não é hora de entrar na briga porque a federação representa muita gente, um grupo eclético, com diferentes visões”, conta uma pessoa de dentro da Fieg.

Divisão

Segundo disse em off ao jornal O Hoje um produtor rural e político goiano, a atual divisão do agronegócio se dá entre uma ala mais ideológica e outra mais econômica ou pragmática.

“Há uma contradição entre empresários rurais modernos, capitalistas, sintonizados com o mercado global e suas exigências, e por isso estariam se distanciando de Bolsonaro, que prejudica exportações”, explica. “E há indivíduos rurais pré-capitalistas, atrasados, depredadores, que veem Bolsonaro como protetor de crimes ambientais.”

Isso por si só, porém, não explica toda a situação. “Porque no primeiro setor, o moderno, do agro capitalista, exportador, há apoiadores fanáticos de Bolsonaro. Então, há uma outra contradição, não econômica, mas ideológica. É a diferença de visão política, independente da realidade econômica.”

Portanto, de acordo com esta fonte, há duas contradições: a econômica e a ideológica. “A econômica, entre modernos e atrasados, e a ideológica, entre conservadores liberais, de um lado, e defensores da ditadura, de outro.”

“Mas a corrente exportadora, moderna, politicamente conservadora liberal e contrária à ditadura, tende a sair vitoriosa, abandonando Bolsonaro”, argumenta.

Goiás

No caso de Goiás, estado em que este setor representa uma das principais atividades econômicas, o que “tem prevalecido é a tendência atrasada bolsonarista”, na avaliação do produtor rural e político goiano, que opina também sobre a atuação do governador Ronaldo Caiado (DEM), ligado ao agronegócio.

“Ele é um conservador liberal, que pode, perfeitamente, se somar àquela corrente moderna exportadora do agro, mas tem sido pressionado pelo bolsonarismo rural”, ressalta. “Até aqui, tem se equilibrado entre as duas correntes. Particularmente, vejo Caiado como parte do arco civilizatório de aliança entre forças nacionais que aceitam disputar o poder segundo as leis e a Constituição.”

Outra fonte, com conhecimento sobre a agroindústria goiana, diz que, “independentemente das diferentes visões, não vai ter briga no setor por conta disso”.

“Embora alguns busquem encontrar culpados, as preocupações são as mesmas, como a falta de insumos, e o foco de todos está mais em encontrar as soluções”, destaca.

A curto prazo, a tendência é a de que, mesmo com a imagem externa do país em baixa, o agro goiano, e o brasileiro de forma geral, não sofra grandes impactos, conforme mostram os indicadores econômicos, até porque há uma crescente demanda internacional por commodities no contexto pós-pandemia.

Mas Goiás e o Brasil, segundo especialistas da área, precisam se preparar para o médio e longo prazo porque, até lá, se as instabilidades política e econômica durarem, o país pode ser substituído por outros mercados, já que nossos produtos, em grande maioria, não têm muito valor agregado. (Especial para O Hoje)

Veja Também